Conflito eleva volatilidade e beneficia óleo, gás e agronegócio, enquanto varejo e construção sofrem
O Ibovespa encerrou o primeiro mês da guerra no Oriente Médio com uma queda expressiva de 4%, refletindo o impacto direto do conflito sobre a economia global e os mercados financeiros.
O cenário de incerteza, agravado pela ausência de perspectivas de trégua, tem pressionado ativos de risco e alterado a dinâmica dos setores listados na B3.
Contexto e impacto imediato
A escalada do conflito no Oriente Médio trouxe volatilidade aos mercados, especialmente após o bloqueio do canal de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Como resultado, apenas oito ações do Ibovespa (IBOV) conseguiram fechar o período em alta, enquanto a maioria dos papéis registrou perdas significativas, algumas superiores a 28%. O setor de óleo e gás foi o principal beneficiado, impulsionado pela disparada dos preços do petróleo.
Destaques positivos: óleo, gás e agronegócio
Entre as maiores altas, a Prio (PRIO3) liderou o ranking, aproveitando não só a valorização do petróleo, mas também avanços operacionais, como o início das operações no campo de Wahoo. Petrobras (PETR4) também figurou entre os destaques, embora não tenha liderado, mesmo após registrar recordes em valor de mercado. O agronegócio também se beneficiou: SLC Agrícola (SLCE3) e MBRF (MBRF3) conseguiram ganhos, impulsionadas pela alta das commodities agrícolas e pelo bom posicionamento logístico diante das restrições no Oriente Médio. Outras petroleiras juniores, como Eneva (ENEV3) e Ultrapar (UGPA3), também registraram desempenho positivo, aproveitando a alta do gás natural e dos combustíveis.
Oportunidades e estratégias defensivas
Além dos setores diretamente beneficiados, empresas como Braskem (BRKM5) começaram a ver oportunidades com a elevação dos spreads na indústria química e petroquímica. Analistas também apontam as empresas de utilidade pública, especialmente as elétricas, como opções defensivas, já que contam com receitas mais previsíveis e capacidade de repassar custos inflacionários ao consumidor. No entanto, a recomendação predominante é de cautela, dada a imprevisibilidade do conflito e a volatilidade dos preços das commodities.
Maiores perdas: varejo, construção e indústria
O lado negativo ficou por conta das ações cíclicas, especialmente varejo e construção civil, setores sensíveis ao ciclo econômico e à elevação dos juros. O conflito elevou os preços do petróleo, gás natural, commodities agrícolas e fertilizantes, pressionando a inflação e levando o mercado a revisar para cima as projeções para a taxa Selic (SELIC). Empresas como MRV (MRVE3), Magazine Luiza (MGLU3), Direcional (DIRR3) e Vamos (VAMO3) figuraram entre as maiores quedas, sentindo o impacto do ambiente de juros mais altos e custos crescentes. Cosan (CSAN3), CSN (CSNA3) e Minerva (BEEF3) também sofreram perdas relevantes, seja pelo endividamento elevado, seja pela pressão nos custos logísticos e de produção.
Perspectivas e recomendações
O ambiente permanece incerto, com analistas destacando a necessidade de uma postura conservadora por parte dos investidores. A volatilidade dos preços do petróleo e a indefinição sobre a duração do conflito tornam o cenário ainda mais desafiador para a tomada de decisão. Empresas de logística e transporte, especialmente companhias aéreas, já buscam alternativas para mitigar o impacto dos custos elevados.
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