Decisão reduz poder tarifário de Trump, alivia tensões comerciais e beneficia exportadoras brasileiras
O mercado financeiro global reagiu de forma contundente à recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que limitou o poder do presidente Donald Trump de impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Por 6 votos a 3, a Corte determinou que a prerrogativa de instituir tributos, incluindo tarifas, pertence ao Congresso, retirando do Executivo essa competência. Essa mudança institucional foi rapidamente absorvida pelos mercados, trazendo alívio às tensões comerciais globais e reforçando a percepção de freios institucionais ao poder presidencial, o que limita políticas fiscais expansionistas e potencialmente inflacionárias.
No Brasil, o dólar comercial recuou 0,98%, fechando em R$ 5,17, atingindo o menor patamar desde maio de 2024. O Ibovespa (IBOV) avançou 1,06%, encerrando acima dos 190 mil pontos pela primeira vez na história, enquanto em Wall Street, os principais índices também registraram ganhos: Dow Jones subiu 0,47%, S&P 500 ganhou 0,69% e Nasdaq avançou 0,90%. Para exportadores brasileiros como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), o ambiente de menor protecionismo é visto como positivo, pois sustenta a demanda global por commodities e favorece o fluxo de capitais para mercados emergentes.
As tarifas implementadas por Trump vinham sendo justificadas como instrumento de consolidação fiscal, gerando US$ 118 bilhões em receita até janeiro de 2026, contra US$ 28 bilhões no mesmo período do ano anterior. Projeções indicavam que, no longo prazo, poderiam reduzir o déficit em até US$ 3 trilhões. Com a decisão da Suprema Corte, parte dessa receita potencial desaparece, o que pode pressionar os juros longos nos EUA. No entanto, analistas destacam que o principal risco fiscal americano segue sendo a trajetória estrutural de gastos e crescimento, e não apenas as tarifas.
Mesmo após a decisão, Trump anunciou uma nova tarifa global temporária de 10% por 150 dias, baseada na Seção 122 da Lei Comercial de 1974, atingindo todos os países e sendo adicional às tarifas já existentes. Apesar do anúncio, os mercados mantiveram e até aceleraram os ganhos, interpretando a medida como temporária, limitada e sujeita a prazos legais claros. Investigações sob a Seção 301, também anunciadas, tendem a levar meses, reduzindo o risco de mudanças abruptas no curto prazo. O cenário mais provável agora é de recalibração, e não de revogação completa da política tarifária, o que pode sustentar o apetite por risco global.
Para o Brasil, a decisão da Suprema Corte dos EUA trouxe alívio aos mercados emergentes, sustentando fluxos comerciais e a demanda por commodities. O Ibovespa (IBOV) rompeu a marca simbólica dos 190 mil pontos, o real ganhou força e o fluxo para mercados emergentes se intensificou. O próximo capítulo dependerá da evolução das medidas comerciais nas próximas semanas, mas, por ora, o mercado optou pelo alívio e pela busca de oportunidades.
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