Propostas de cisão e capitalização dividem Shell e Cosan em meio a dívida bilionária e prejuízos
Raízen (RAIZ4) está no centro de uma disputa estratégica
A Raízen (RAIZ4) está no centro de uma disputa estratégica que pode redefinir seu futuro no mercado brasileiro de energia. Com uma dívida líquida que atingiu R$ 55,3 bilhões no último trimestre, a companhia enfrenta pressão crescente para reduzir sua alavancagem e restaurar a confiança dos investidores. O cenário se intensificou após rebaixamentos de rating e um prejuízo líquido de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026, levando a um reconhecimento de impairment de R$ 11 bilhões e à necessidade urgente de soluções estruturais.
Contexto: Propostas divergentes para a reestruturação
Atualmente, Shell e Cosan dividem o controle da Raízen, cada uma com 44% de participação, enquanto 12% das ações estão em circulação no mercado. Diante do desafio financeiro, duas propostas distintas emergiram. A primeira, articulada por Cosan e fundos do BTG Pactual, sugere a cisão da empresa em duas companhias listadas: uma dedicada ao açúcar e etanol, outra aos combustíveis. O plano prevê a conversão de 25% da dívida em ações e aportes significativos — R$ 1 bilhão da Cosan, R$ 500 milhões de Rubens Ometto, R$ 1,5 bilhão da Shell e até R$ 5,3 bilhões de fundos do BTG.
A alternativa da Shell: capitalização sem cisão
Em contraponto, a Shell propõe uma solução mais simples e menos disruptiva: uma capitalização direta de R$ 5 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões aportados pela própria Shell e o restante pela Cosan. Essa proposta busca evitar a divisão da companhia, mantendo sua estrutura integrada e abrindo espaço para eventuais novos aportes dos sócios ou até mesmo uma oferta pública subsequente (follow-on) para captar recursos adicionais no mercado.
Venda de ativos e busca por equilíbrio financeiro
Paralelamente às negociações, a Raízen segue com seu plano de desinvestimento. Nos últimos 12 meses, a empresa levantou cerca de R$ 5 bilhões com a venda de ativos e trabalha para concluir a alienação de operações na Argentina até o fim do ano. O objetivo central é reduzir a alavancagem para um patamar entre 2 e 2,5 vezes o Ebitda, meta que, segundo cálculos do UBS BB, exigiria a captação de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões.
Análise: O desafio da confiança e o papel dos controladores
O impasse entre as propostas evidencia o desafio de alinhar interesses entre os controladores e os investidores institucionais. Enquanto a cisão pode destravar valor em segmentos específicos, a capitalização direta preserva a escala e a sinergia operacional da Raízen. O CEO Nelson Gomes reconheceu, em teleconferência recente, que a transformação operacional isolada não será suficiente para reequilibrar a estrutura financeira da companhia.
Perspectivas e próximos passos
Até o momento, tanto Raízen quanto Shell optaram por não comentar oficialmente as propostas em discussão. O mercado segue atento ao desfecho das negociações, que podem impactar não apenas o valuation da empresa, mas também o equilíbrio competitivo do setor de energia no Brasil.
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