Empresas listadas na B3 aceleram pagamentos para evitar taxação prevista para 2026 e beneficiar acionistas
A antecipação de dividendos ganha força no mercado brasileiro diante da iminente taxação prevista para 2026.
Com a reforma do Imposto de Renda, empresas listadas na B3 estão acelerando o pagamento de proventos para garantir isenção fiscal aos acionistas, aproveitando a janela que permite declarar dividendos ainda em 2024 e 2025 sem incidência do novo imposto, mesmo que o pagamento ocorra até 2028.
Movimento estratégico das companhias
Nas últimas semanas, gigantes como Vale (VALE3), Itaú (ITUB4), Weg (WEGE3), Itaúsa (ITSA4) e Ultrapar (UGPA3) já anunciaram bilhões em dividendos extraordinários, sinalizando uma tendência que deve se intensificar nos próximos meses. Segundo análise da XP, o incentivo fiscal criado pela reforma do IR é claro: antecipar anúncios de dividendos antes do fim de 2025 pode resultar em uma economia significativa para empresas e investidores.
Potencial de distribuição bilionária
A XP projeta que os dividendos adicionais distribuídos até o final do ano podem alcançar R$ 85 bilhões, refletindo o apetite das companhias por maximizar o retorno aos acionistas antes da nova regra. O levantamento destaca que empresas com histórico consistente de pagamentos, baixa alavancagem e reservas robustas de lucros estão mais propensas a liberar proventos extras. Entre os nomes citados, Gerdau (GGBR4) e Cyrela (CYRE3) se destacam, mas a lista inclui ainda Usiminas (USIM5), PetroRecôncavo (RECV3), Eztec (EZTC3), Boa Safra (SOJA3), Guararapes (GUAR3), Irani (RANI3), Iguatemi (IGTI11), Ambev (ABEV3), Mills (MILS3), Kepler Weber (KEPL3), Vittia (VITT3), Axia Energia (AXIA3), Even (EVEN3), Tim (TIMS3), Vivara (VIVA3), Lavvi (LAVV3), Dimed (DIMED), B3 (B3SA3) e Direcional (DIRR3).
Exemplos recentes reforçam a tendência: Melnick anunciou quase R$ 65 milhões em dividendos, enquanto a Unipar aprovou R$ 700 milhões, evidenciando a movimentação acelerada do setor.
Análise de potencial e projeções
De acordo com os cálculos da XP, o potencial de distribuição dessas empresas chega a R$ 170,3 bilhões, o que poderia gerar um dividend yield de até 27,1%. No entanto, a consultoria pondera que dificilmente todo esse montante será liberado de uma só vez. Historicamente, o percentual efetivamente distribuído varia entre 11% e 84% do potencial, levando a XP a projetar uma distribuição realista de 50% — ou seja, cerca de R$ 85 bilhões, com retorno estimado de 13,5%.
Impacto da nova tributação
A partir de 2026, dividendos que excederem R$ 50 mil mensais serão taxados em 10%, medida adotada pelo governo para compensar a ampliação da faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Segundo estimativas oficiais, a nova regra deve atingir aproximadamente 140 mil grandes investidores, reforçando o movimento de antecipação observado no mercado.
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