Ibovespa cai 1,3%, dólar sobe e juros disparam em meio a incertezas eleitorais e monetárias
O mercado financeiro brasileiro amanheceu sob forte volatilidade nesta terça-feira, refletindo o impacto direto das incertezas políticas e das expectativas em torno dos juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, chegou a ensaiar uma recuperação na véspera, mas rapidamente perdeu fôlego após declarações do senador Flávio Bolsonaro, que reacenderam o clima eleitoral e pressionaram ainda mais os ativos locais. Às 11h50, o Ibovespa recuava 1,30%, aos 156.128 pontos, enquanto o dólar disparava para próximo de R$ 5,50, evidenciando o nervosismo dos investidores diante do cenário político e macroeconômico.
O ambiente de instabilidade também atingiu o Tesouro Direto, que precisou suspender novamente as negociações devido à forte oscilação das taxas. O retorno das operações veio acompanhado de uma disparada coordenada nos juros, levando o Tesouro IPCA+ de curto prazo a oferecer um juro real de 8% ao ano, patamar que reflete a aversão ao risco e a busca por proteção diante das incertezas eleitorais de 2026. O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) também operava em queda, recuando 0,11% no mesmo horário.
Enquanto o mercado tradicional enfrentava turbulências, o universo das criptomoedas seguia em direção oposta. Bitcoin e Ethereum registravam leves altas, mostrando resiliência e atraindo parte dos investidores em busca de alternativas diante do cenário doméstico conturbado. No exterior, as bolsas americanas apresentavam desempenho misto, com Dow Jones e S&P 500 em alta e Nasdaq em leve queda, refletindo a expectativa pela decisão do Federal Reserve sobre os juros.
O foco dos agentes econômicos segue dividido entre o futuro da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, a expectativa é de manutenção da Selic (SELIC) em 15% ao ano, com o Banco Central sinalizando juros elevados por um período prolongado e adiando qualquer discussão sobre cortes para 2026. Nos EUA, o mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual pelo Fed, mas com tom cauteloso, já que a inflação ainda preocupa e os dados econômicos permanecem incertos.
O ambiente político segue como principal vetor de volatilidade, especialmente após Flávio Bolsonaro reafirmar sua candidatura à Presidência em 2026 e descartar a possibilidade de abrir mão da disputa. Esse cenário mantém o investidor em alerta, ampliando a busca por ativos defensivos e pressionando os mercados locais.
Entre as ações do Ibovespa, destaque para as maiores altas do dia, como USIM5, CVCB3, KLBN11, SUZB3 e EMBJ3, que conseguiram se descolar do pessimismo geral. Por outro lado, papéis como LREN3, MGLU3, RAIZ4, VAMO3 e FLRY3 lideraram as perdas, refletindo o impacto direto do ambiente de aversão ao risco.
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