Mercado reage a dados econômicos, tarifas dos EUA e cenário político com Lula na frente
Ibovespa inicia o dia em queda com cautela internacional
O Ibovespa iniciou esta quarta-feira (15) em queda, refletindo o clima de cautela dos investidores diante do cenário internacional e dos dados econômicos domésticos. Por volta das 11h, o principal índice da B3 recuava 0,34%, aos 176.032,84 pontos, enquanto o dólar apresentava desvalorização de 0,94%, cotado a R$ 5,08. O movimento ocorre em meio à expectativa global sobre o prazo final estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a implementação de novas tarifas comerciais, fator que mantém os mercados atentos a possíveis desdobramentos nas relações comerciais internacionais.
Mercados internacionais e commodities
No panorama externo, o petróleo Brent avançava 0,38%, negociado a US$ 79,62, enquanto as principais bolsas americanas operavam em alta: Dow Jones subia 0,48%, S&P 500 ganhava 0,43% e Nasdaq avançava 0,65%. O ambiente internacional, portanto, mostrava-se positivo, impulsionado pela esperança de avanços nas negociações comerciais lideradas pelos Estados Unidos.
Desempenho misto na B3 e ativos digitais
Na B3, o desempenho dos ativos era misto. Enquanto o Ibovespa recuava, o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) registrava alta de 0,99%, aos 3.835,17 pontos. O cenário também era favorável para os ativos digitais, com o Bitcoin valorizando 2,92% e o Ethereum subindo 3,41% no mesmo horário, evidenciando o apetite dos investidores por alternativas em meio à volatilidade dos mercados tradicionais.
Inflação ao produtor nos EUA e política monetária
Entre os fatores que mexem com o mercado, destaca-se a divulgação da inflação ao produtor nos EUA, que caiu 0,3% em junho. Apesar do dado sugerir uma avaliação mais benigna sobre a trajetória inflacionária, o Federal Reserve segue comprometido em levar a inflação à meta de 2%, o que limita expectativas de cortes mais agressivos nos juros americanos. A sabatina do presidente do Fed, Kevin Warsh, no Senado, também está no radar dos agentes econômicos.
Dados econômicos brasileiros e expectativas para a Selic
No Brasil, o IBGE informou que o setor de serviços recuou 0,4% em maio, resultado pior que o esperado pelo mercado, cuja mediana das projeções apontava queda de 0,1%. As estimativas variavam entre retração de 0,7% e alta de 0,9%. Apesar do desempenho mais fraco, a curva de juros brasileira operava praticamente estável, com leve alta nos vencimentos mais longos, sinalizando que o dado não altera a perspectiva de que o Copom deve reduzir a taxa Selic (SELIC) em 25 pontos-base na próxima reunião, sem espaço para novos cortes em 2026.
Tarifas dos EUA e impacto nas exportações brasileiras
Outro ponto de atenção é a possível decisão dos Estados Unidos sobre tarifas aplicadas ao Brasil. Caso as investigações em curso resultem em medidas restritivas, a sobretaxa pode chegar a 37,5% sobre parte das exportações brasileiras, o que preocupa setores exportadores e o governo federal, que classificou as propostas como "injustas".
Cenário político e pesquisa eleitoral
No campo político, a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostrou o ex-presidente Lula com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 37%, uma diferença de oito pontos percentuais.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre as maiores altas do Ibovespa, destacaram-se MRV (MRVE3), B3 (B3SA3), Suzano (SUZB3), Usiminas (USIM5) e Ultrapar (UGPA3). Já entre as maiores baixas figuraram Magazine Luiza (MGLU3), Braskem (BRKM5), Isa Cteep (ISAE4), Engie Brasil (EGIE3) e Banco Mercantil (MBRF3).
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