Mercado reage a cenário eleitoral, dados de emprego e destaque para ações como Hapvida e Santander
Ibovespa encerra semana pré-eleições com forte alta e otimismo dos investidores
O Ibovespa (IBOV) encerrou a semana anterior ao primeiro turno das eleições com uma performance notável, refletindo o otimismo dos investidores que buscaram se posicionar estrategicamente nos últimos pregões, inclusive por meio do mercado de opções. O principal índice da bolsa brasileira registrou uma valorização expressiva de 4,71% entre 28 de setembro e 2 de outubro, fechando aos 192.114,55 pontos. Esse movimento reforça a tendência positiva já observada em setembro, quando o Ibovespa acumulou alta de 5,03%, consolidando o segundo melhor desempenho mensal de 2026.
Enquanto o mercado acionário brasileiro avançava, o câmbio seguiu em direção oposta. O dólar à vista encerrou a sexta-feira cotado a R$ 5,21, com alta semanal de 0,67%. Esse cenário reflete a cautela dos investidores diante das incertezas eleitorais e do ambiente externo, especialmente com a disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, sem um favorito claro nas pesquisas. Os mercados preditivos internacionais, embora proibidos no Brasil, sugeriam uma ligeira vantagem para o senador, o que poderia impulsionar ainda mais os ativos brasileiros caso se confirme.
No campo econômico, os dados de emprego trouxeram alívio e otimismo. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, atingindo o menor nível para o período desde 2012, enquanto o número de pessoas ocupadas bateu recorde. O Caged também surpreendeu positivamente, com a abertura de 165.827 vagas formais em agosto, o melhor resultado em cinco meses.
Cenário internacional: juros e payroll nos EUA
Nos Estados Unidos, o ambiente foi marcado pela escalada dos rendimentos dos Treasuries, que atingiram máximas em 24 anos, refletindo preocupações geopolíticas e a perspectiva de juros elevados por mais tempo. O PCE, indicador preferido do Federal Reserve para inflação, subiu 0,3% em agosto, abaixo do esperado, mas ainda distante da meta de 2% ao ano. O dado mais relevante, porém, foi o payroll: a criação de apenas 29 mil vagas em setembro e a elevação da taxa de desemprego para 4,2% adiaram as apostas de alta de juros para dezembro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção das taxas em outubro era de 78%, enquanto a chance de aumento em dezembro superava 80%.
Destaques do Ibovespa: Hapvida lidera ganhos, Santander recua
Entre as ações do Ibovespa, a Hapvida (HAPV3) foi o grande destaque da semana, disparando quase 25% após notícias de que a companhia avalia uma operação de sale-leaseback de hospitais, que pode levantar até R$ 1,5 bilhão. A expectativa é de que a transação melhore a estrutura de capital e a eficiência operacional da empresa. No lado oposto, o Santander Brasil (SANB11) teve o pior desempenho, devolvendo ganhos recentes e voltando ao patamar anterior ao anúncio da OPA. O banco segue pressionado no acumulado do ano, com o mercado já precificando uma possível saída das units da bolsa.
Entre as maiores altas da semana, além da Hapvida, destacaram-se Vamos (VAMO3), Azzas 2154 (AZZA3), Cogna (COGN3) e Magazine Luiza (MGLU3), todas com ganhos superiores a 12%. Já entre as baixas, além do Santander, Minerva (BEEF3), Embraer (EMBR3) e Copasa (CSMG3) figuraram entre os destaques negativos, mas o número de ações no campo negativo foi bastante reduzido, evidenciando o viés positivo do mercado.
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