Setores bancário e endividados sofrem, enquanto Vale e siderúrgicas se destacam em alta
O Ibovespa encerrou esta terça-feira (16) em forte queda, atingindo 158.557,57 pontos, uma retração de 2,42%. O movimento reflete o aumento da aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, impulsionado por preocupações eleitorais e pela divulgação da ata do Copom, que sinalizou manutenção da taxa Selic (SELIC) em patamares elevados até 2026.
O relatório recente do JPMorgan trouxe à tona o temor de que o otimismo dos investidores quanto a uma possível guinada à direita nas eleições de 2026 esteja exagerado. Esse alerta reverberou entre os agentes do mercado, que passaram a reavaliar suas posições diante do cenário político incerto. O risco eleitoral ganhou ainda mais força após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que mostrou ampla vantagem do ex-presidente Lula sobre outros possíveis candidatos, como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. O resultado pressionou o dólar comercial, que subiu 0,76% e fechou cotado a R$ 5,46.
Setores mais impactados e destaques do pregão
O setor bancário foi o mais penalizado no Ibovespa, com BTG Pactual (BPAC11) e Santander Brasil (SANB11) registrando quedas expressivas de 4,84% e 3,19%, respectivamente. Empresas com alto endividamento, como Cosan (CSAN3), lideraram as perdas do dia, refletindo o receio de que a Selic (SELIC) permaneça em 15% ao longo de 2026, conforme sinalizado pelo Banco Central. Por outro lado, a mineradora Vale (VALE3) conseguiu amenizar o tombo do índice ao avançar 0,75%, acompanhando a valorização do minério de ferro na China.
Entre as maiores altas do dia, destacaram-se Brava Energia (BRAV3), Metalúrgica Gerdau (GOAU4), CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Suzano (SUZB3). Já as maiores quedas ficaram por conta de Cosan (CSAN3), Rumo (RAIL3), Motiva (MOTV3), RaiaDrogasil (RADL3) e Hapvida (HAPV3).
Cenário internacional: Wall Street e commodities
Nos Estados Unidos, o desempenho dos principais índices foi misto. O Nasdaq-100 (NDX) conseguiu fechar em alta de 0,23%, impulsionado por empresas de tecnologia, enquanto o S&P 500 (SPX) recuou 0,24% e o Dow Jones (DJA) caiu 0,62%. O destaque negativo ficou por conta das petroleiras Exxon Mobil e Chevron, que recuaram cerca de 2% cada, acompanhando a forte queda do petróleo Brent, que atingiu seu menor valor desde o início de 2021, cotado abaixo de US$ 55 por barril.
Análise e perspectivas
O ambiente de incerteza política, aliado à perspectiva de juros elevados por mais tempo, tende a manter o mercado brasileiro volátil nos próximos meses. Investidores devem redobrar a atenção à dinâmica eleitoral e aos próximos comunicados do Banco Central, que serão determinantes para o rumo dos ativos locais.
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