Mais de 30 companhias anunciam R$ 18 bi em proventos para aproveitar isenção antes da reforma tributária
Empresas da B3 aceleram distribuição de dividendos e JCP para driblar taxação prevista para 2026
O mercado brasileiro de capitais vive um momento de intensa movimentação, impulsionado pela proximidade da taxação dos dividendos, prevista para entrar em vigor em 2026. Mais de 30 companhias listadas na B3 anunciaram, apenas nesta semana, a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), totalizando mais de R$ 18 bilhões em proventos aprovados. Em alguns casos, o valor distribuído por ação ultrapassa R$ 3, evidenciando a estratégia das empresas em antecipar pagamentos e beneficiar seus acionistas antes das novas regras fiscais.
Contexto: Reforma tributária e antecipação de proventos
A reforma do Imposto de Renda, já sancionada, estabelece que a partir de 2026 os dividendos pagos acima de R$ 50 mil mensais por pessoa física serão tributados em 10%. No entanto, dividendos aprovados até o final de 2025 permanecerão isentos, mesmo que o pagamento ocorra até 2028. Esse cenário tem levado as companhias a revisarem suas políticas de distribuição, recorrendo não apenas aos lucros do exercício, mas também às reservas de capital, para maximizar a remuneração dos investidores enquanto ainda há isenção.
Destaques da semana: grandes distribuições e estratégias alternativas
Entre os anúncios mais expressivos, a Rede D'Or (RDOR3) liderou com a aprovação de R$ 8,1 bilhões em dividendos e JCP, o equivalente a cerca de R$ 3,68 por ação, a serem pagos ainda este ano. Suzano (SUZB3), Copel (CPLE3), Klabin (KLBN11) e Neoenergia (NEOE3) também figuram entre as empresas que anunciaram proventos bilionários. A Direcional (DIRR3) destacou-se ao aprovar R$ 804,4 milhões em dividendos, ou R$ 1,55 por ação.
Além da distribuição direta de proventos, algumas companhias têm recorrido à bonificação de ações como alternativa para remunerar acionistas sem incorrer em tributação futura. Cyrela (CYRE3), Unifique (FIQE3), GPS (GGPS3), Klabin (KLBN11) e Dexxos (DEXP3) anunciaram aumentos de capital por meio da emissão de novas ações, distribuídas gratuitamente aos investidores.
Impacto para o investidor: oportunidades e desafios
Para o investidor atento, o momento é de avaliar as oportunidades de garantir dividendos e bonificações antes da vigência da nova tributação. Empresas como Itaú (ITUB4) e M. Dias Branco (MDIA3) já divulgaram calendários de pagamentos para 2026, sinalizando que a janela para aproveitar a isenção está se fechando rapidamente. Além disso, programas de recompra de ações, como os anunciados por B3 (B3SA3), Renner (LREN3), Localiza (RENT3), MRV (MRVE3) e Tenda (TEND3), reforçam o compromisso das companhias em gerar valor aos acionistas.
Análise AUVP Analítica: tendências e projeções
A antecipação dos proventos e a adoção de estratégias como bonificações e recompra de ações refletem a capacidade de adaptação das empresas brasileiras diante de mudanças regulatórias. O movimento tende a se intensificar até o final de 2025, com impacto direto na dinâmica do mercado de capitais e na atratividade das ações para investidores focados em renda passiva. A expectativa é de que, à medida que a data-limite se aproxima, novas ondas de anúncios ocorram, exigindo atenção redobrada dos investidores para não perderem oportunidades relevantes.
Para quem deseja acompanhar de perto os próximos pagamentos e datas importantes, a ferramenta de Calendário de Proventos da AUVP Analítica oferece uma visão completa e atualizada dos dividendos e JCP anunciados pelas empresas da B3, facilitando o planejamento e a tomada de decisão estratégica.