Redução da Selic em 2026 deve impulsionar setores como varejo, agronegócio e commodities na bolsa
O cenário de investimentos no Brasil está prestes a passar por uma transformação significativa, impulsionada pela expectativa de um fluxo positivo de até R$ 120 bilhões direcionados às ações brasileiras.
Esse movimento, projetado por analistas do BTG Pactual, ganha força em meio ao ciclo de cortes da taxa Selic (SELIC) previsto para 2026, que promete reacender o apetite dos investidores por ativos de risco e, especialmente, por empresas listadas na bolsa de valores.
Contexto: O impacto da Selic e o potencial represado
A trajetória recente da taxa Selic, que atingiu sua mínima histórica de 2% ao ano em 2020 e depois saltou para 15%, redesenhou o perfil dos investimentos no país. Durante o período de juros baixos, os fundos de investimento ampliaram sua exposição a ações, chegando a R$ 765 bilhões sob gestão, o equivalente a 15,2% do total de ativos. Com a alta dos juros, esse percentual caiu drasticamente para 8,3%, ou R$ 622 bilhões, em setembro de 2025. Segundo o BTG Pactual, mesmo que os ativos sob gestão permaneçam estáveis, um retorno à participação de 10% em ações poderia injetar cerca de R$ 120 bilhões em fluxos positivos nos fundos locais, criando um ambiente favorável para a valorização das empresas brasileiras.
Setores e empresas que podem se beneficiar
O ambiente de juros mais baixos tende a beneficiar especialmente empresas endividadas, que veem seus custos financeiros reduzidos e sua capacidade de geração de caixa ampliada. O varejo é um dos setores mais óbvios a se beneficiar, mas o relatório do BTG destaca oportunidades menos evidentes em segmentos como agronegócio e commodities. Entre os nomes citados estão SLC Agrícola (SLCE3), Jalles Machado (JALL3), Camil Alimentos (CAML3), CSN (CSNA3), Ultrapar (UGPA3) e Usiminas (USIM5). Apesar de todas essas companhias acumularem perdas expressivas nos últimos dois anos, a perspectiva de queda dos juros pode ser o gatilho para uma reviravolta em seus desempenhos.
Análise e projeção: O que esperar do mercado
A possível migração de recursos para a renda variável não apenas impulsiona os preços das ações, mas também pode estimular uma reavaliação dos fundamentos das empresas, especialmente aquelas que sofreram com o ambiente de juros elevados. O investidor atento deve observar não só os setores tradicionais, mas também buscar oportunidades em companhias que, apesar de alavancadas, possuem potencial de recuperação diante de um cenário macroeconômico mais benigno.
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