Tarifas americanas, desempenho dos bancos e petróleo impactam mercado; investidores aguardam decisão do Fed
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de 1,52%, aos 174.041,95 pontos, pressionado por uma nova rodada de tarifas anunciada pelo governo dos Estados Unidos, pela queda do petróleo e pelo recuo dos grandes bancos. Apesar do tombo do dia, o principal índice da bolsa brasileira conseguiu fechar a semana com leve alta de 0,19%, refletindo a resiliência do mercado diante de um cenário global desafiador.
Contexto internacional e impacto das tarifas
O anúncio de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros, desta vez sob alegação de trabalho forçado, trouxe volatilidade aos mercados. Embora mais de 470 produtos tenham ficado isentos, o alívio foi limitado, já que o conjunto de sobretaxas sobre as exportações brasileiras segue crescendo. O governo brasileiro, por sua vez, busca alternativas para mitigar os impactos dessas medidas, enquanto investidores monitoram possíveis desdobramentos nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Movimento do câmbio e dos juros
O dólar comercial encerrou o dia praticamente estável, com leve queda de 0,06%, cotado a R$ 5,08, revertendo parte das perdas da véspera. Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) interromperam a sequência de altas e recuaram ao longo de toda a curva, refletindo ajustes nas expectativas para a política monetária.
Sinalizações do governo e do Banco Central
Durante o evento Expert XP, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou o compromisso com a estabilização da dívida pública até 2030 e prometeu rever gastos obrigatórios, sinalizando uma postura fiscal mais austera. Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que o Copom avalia estratégias para trazer a inflação para mais perto da meta, mantendo os juros em patamar restritivo. Galípolo também chamou atenção para o fato de parte da dívida dos brasileiros ser pouco sensível à política monetária, tema que deve ganhar relevância nas próximas decisões do Copom.
Desempenho das ações: Petrobras, bancos e tecnologia
A queda do petróleo após altas recentes pressionou as ações da Petrobras (PETR4), que recuaram 1,72%, acompanhadas por outras petroleiras como PRIO (PRIO3). Em contrapartida, Brava Energia fechou em alta, impulsionada por expectativas de arbitragem após oferta de aquisição. Já a ISA Energia despencou 7,16% após precificação abaixo do esperado em sua oferta primária de ações. A Vale (VALE3), apesar da leve queda no dia, acumulou alta superior a 3% na semana após divulgar bons resultados de produção.
Os grandes bancos também pesaram sobre o índice, com Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander (SANB11) registrando quedas expressivas. Por outro lado, empresas de tecnologia como WEG (WEGE3) e Totvs (TOTS3) avançaram, impulsionadas por resultados positivos e otimismo com oportunidades em inteligência artificial.
Cenário externo: Wall Street e Europa
Nos Estados Unidos, os índices fecharam mistos, com o Dow Jones em alta e o Nasdaq (IBOV) em queda, refletindo balanços corporativos e incertezas políticas. Na Europa, os mercados reagiram positivamente apesar das ameaças de novas tarifas americanas, enquanto no Oriente Médio, tensões geopolíticas não impediram a correção do petróleo após altas sucessivas. O ouro, tradicional ativo de proteção, encerrou em alta.
Projeções para a próxima semana
O foco dos investidores se volta agora para a decisão do Federal Reserve sobre a taxa de juros, marcada para quarta-feira, evento que promete movimentar os mercados globais sob a liderança do novo presidente Kevin Warsh.
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