Mercado reage a resultados trimestrais, cenário internacional e dados econômicos dos EUA
O dólar comercial voltou a subir, avançando 0,25% e fechando a R$ 5,20 (Imagem: Shutterstock)
Ibovespa fecha em queda de 1,02%: cautela global e balanços agitam mercado brasileiro
O Ibovespa (IBOV) encerrou o pregão desta quinta-feira em queda de 1,02%, aos 187.766 pontos, devolvendo parte dos ganhos recentes em meio a um cenário internacional mais defensivo. O movimento foi impulsionado pelo mau humor em Wall Street, onde os principais índices recuaram mais de 1% diante de novas incertezas sobre a sustentabilidade dos lucros no setor de tecnologia. O dólar comercial acompanhou o clima de aversão ao risco, subindo 0,25% e fechando a R$ 5,20, enquanto os juros futuros tiveram desempenho misto. O mercado brasileiro, mais uma vez, seguiu o compasso externo, com investidores ajustando posições antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos.
Tecnologia e inteligência artificial no centro das atenções
O gatilho para a piora do humor global veio de revisões negativas nas perspectivas do setor de tecnologia, com destaque para margens mais fracas sinalizadas pela Cisco. Esse movimento reacendeu o debate sobre o retorno efetivo dos investimentos em inteligência artificial, tema que tem sustentado boa parte do rali recente das bolsas americanas. A rotação para setores defensivos, como bens de consumo essenciais e utilities, não foi suficiente para segurar os índices. A queda da prata e de ativos cíclicos reforçou o viés de aversão ao risco. Com o CPI no radar, investidores preferiram reduzir exposição antes de um dado que pode redefinir as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Serviços no Brasil mostram desaceleração
No cenário doméstico, o volume de serviços de dezembro ficou abaixo do esperado, indicando perda de fôlego na margem. Apesar de 2025 ter sido um ano de crescimento relevante para o setor, os dados finais apontam menor tração no quarto trimestre, reforçando projeções de PIB próximo da estabilidade no encerramento do ano. O mercado agora aguarda os números do varejo, que podem ajudar a calibrar expectativas para a atividade econômica no início de 2026.
Banco do Brasil surpreende e lidera altas
O destaque positivo do dia foi o Banco do Brasil (BBAS3), que avançou 4,50% mesmo em meio ao ambiente defensivo, após divulgar resultados acima das expectativas no quarto trimestre. Apesar das dúvidas sobre a qualidade da carteira, especialmente no agronegócio, o mercado reagiu ao lucro superior ao consenso e ao discurso mais firme da administração sobre a estratégia para 2026. O desempenho do BB, porém, não contaminou o restante do setor bancário: Itaú (ITUB4) recuou 2,29%, Bradesco (BBDC4) caiu 1,44% e Santander (SANB11) cedeu 4,88%, refletindo a postura mais cautelosa dos investidores.
Balanços movimentam ações individuais
A temporada de resultados continuou a gerar volatilidade. A Braskem (BRKM5) despencou 11,27% após a revelação de um calote bilionário envolvendo o Banco do Brasil, enquanto a Petrobras (PETR4) caiu 2,55%, acompanhando o petróleo no exterior. Na ponta positiva, Ambev (ABEV3) subiu 4,76% com volumes mais fortes no segmento de cerveja no Brasil. Assaí (ASAI3) avançou 5,09% após balanço e anúncio de parceria com o Mercado Livre (MELI34), e Riachuelo (RIAA3) ganhou 2,93% depois de superar expectativas no quarto trimestre. A Vale (VALE3) encerrou o dia em leve queda, com o mercado à espera dos números e atento à política de dividendos.
Entre cautela e oportunidade
O pregão refletiu um mercado dividido entre proteção e busca por oportunidades pontuais. O cenário externo impôs o tom defensivo, mas balanços sólidos mostraram que há espaço para reprecificação seletiva. Com o CPI nos EUA e os próximos dados domésticos no radar, a tendência é de manutenção da volatilidade no curto prazo, especialmente às vésperas do feriado prolongado.
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