Fenômeno climático eleva demanda e gera riscos para distribuidoras e geradoras de energia no Brasil
O fenômeno climático El Niño volta ao centro das atenções do mercado de energia, com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA apontando 80% de probabilidade de ocorrência entre junho e agosto, e duração prevista até janeiro. O impacto desse evento, que tende a elevar as temperaturas e alterar o regime de chuvas no Brasil, já mobiliza análises de risco e projeções para empresas do setor elétrico listadas na bolsa brasileira.
Contexto climático e projeções para o setor
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) reforçou, em nota técnica, os potenciais efeitos do El Niño a partir do segundo semestre de 2026. Historicamente, o fenômeno provoca temperaturas acima da média, redução das chuvas no Nordeste e aumento das precipitações no Sul do país e na Argentina. Esse cenário climático pode alterar significativamente o consumo e a oferta de energia, influenciando diretamente o desempenho das companhias do setor.
Distribuidoras: potencial de alta com maior demanda
Em episódios anteriores de El Niño, a combinação de hidrologia favorável no Sul e Sudeste e aumento das temperaturas resultou em maior consumo de energia e recuperação dos reservatórios. Para distribuidoras como Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11) e CPFL (CPFE3), o aumento da demanda pode representar ganhos relevantes, segundo análise do Safra. O calor intenso tende a impulsionar o uso de energia elétrica, beneficiando essas empresas em um contexto de preços estáveis ou em queda.
Geradoras: exposição a riscos e oportunidades
No segmento de geração, o Safra destaca que empresas menos contratadas, como Axia (AXIA3) e Copel (CPLE3), podem enfrentar impactos negativos de curto prazo nos preços, caso o El Niño seja intenso. Já companhias com maior nível de energia contratada, como a Auren (AURE3), tendem a se proteger melhor das oscilações do mercado, podendo até se beneficiar do cenário adverso para concorrentes.
Perspectivas de preços e recomendações do Safra
Apesar dos riscos de curto prazo, o Safra mantém suas recomendações para o setor elétrico. Os analistas projetam preços de energia em torno de R$ 240 por MWh, sustentados pelo avanço da geração distribuída, volatilidade das fontes renováveis e maiores retornos exigidos para novos projetos. A alta dos preços do petróleo e do gás também pressiona os custos das usinas térmicas, contribuindo para a sustentação dos preços no mercado livre.
Mudanças regulatórias no horizonte
O banco chama atenção para uma possível revisão metodológica nos modelos de precificação de energia. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) abriram consulta pública para discutir ajustes nos parâmetros de aversão ao risco. Caso entidades de consumidores consigam reduzir o peso de cenários hidrológicos extremos, os preços médios podem cair a partir de 2027, alterando a dinâmica de rentabilidade do setor.
Para quem acompanha o desempenho das principais empresas do setor elétrico, a ferramenta de Ranking de Ativos da AUVP Analítica oferece uma visão comparativa dos indicadores financeiros e operacionais, facilitando a análise de oportunidades e riscos em diferentes cenários climáticos e regulatórios.