Mercado reage a corte da Selic e incertezas sobre política monetária, impactando ações e juros futuros
Dólar em alta e Ibovespa em queda após decisão do Copom
O dólar comercial encerrou esta quinta-feira em alta de 1,30%, cotado a R$ 5,17, refletindo um cenário de incerteza que impactou fortemente o mercado financeiro brasileiro. O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa, recuou 0,10% e fechou aos 168.277,55 pontos, contrariando o desempenho positivo dos mercados internacionais. O pano de fundo para esse movimento foi o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que, apesar de cortar a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano — terceira redução consecutiva e em linha com as expectativas —, não sinalizou os próximos passos da política monetária. Essa ausência de direcionamento aumentou a cautela dos investidores, que agora aguardam a próxima reunião do Copom, marcada para agosto, sem clareza sobre novos cortes ou uma possível pausa.
O impacto imediato foi sentido na curva de juros futuros, que subiu em toda a extensão, e na valorização do dólar frente ao real, marcando a quarta sessão consecutiva de desvalorização da moeda brasileira. O mercado interpretou o comunicado do BC como mais dovish do que o esperado, especialmente diante do aumento das apostas de que o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos poderá elevar os juros até o fim do ano. Essa combinação de fatores — Fed mais rígido, câmbio pressionado, curva de juros inclinada e postura cautelosa do BC — foi destacada por gestores como uma das melhores oportunidades para a renda fixa em anos.
Destaques entre as ações: Braskem, Magazine Luiza, Lojas Renner, B3, Vale, Petrobras e bancos
Entre as ações, o destaque negativo ficou com a Braskem (BRKM5), que despencou 9,92% após resistência de credores ao plano de reestruturação extrajudicial e à entrada do novo controlador, IG4 Capital. O setor de varejo também sofreu: Magazine Luiza (MGLU3) caiu 4,85% e Lojas Renner (LREN3) recuou 2,98%, pressionadas pela alta dos juros futuros. A B3 (B3SA3), operadora da bolsa, teve queda de 2,05% após apresentar seu novo plano estratégico.
Por outro lado, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) ajudaram a sustentar parte do índice, com altas de 0,25% e 0,65%, respectivamente. Entre os bancos, o desempenho foi misto: Banco do Brasil (BBAS3) subiu 0,57%, enquanto Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander (SANB11) registraram quedas. Vale, Petrobras e os grandes bancos representam cerca de metade da carteira teórica do Ibovespa, o que explica sua influência sobre o índice.
Cenário internacional e commodities
No cenário internacional, Wall Street fechou em alta após o acordo entre Estados Unidos e Irã, que reabriu o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Apesar disso, o tom mais hawkish do Fed pressionou moedas emergentes e elevou as curvas de juros globais. O petróleo encerrou o dia abaixo de US$ 80 o barril, enquanto o ouro registrou forte queda. Na Europa, os mercados fecharam de forma mista, e a agenda econômica para a próxima sexta-feira é considerada esvaziada.
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