Empresas antecipam proventos para aproveitar isenção fiscal antes da nova tributação em 2026
O cenário de distribuição de dividendos no Brasil em 2025
O cenário de distribuição de dividendos no Brasil atingiu um novo patamar em 2025, impulsionado por mudanças tributárias iminentes e pela estratégia das empresas em antecipar proventos. As companhias listadas na B3 distribuíram impressionantes R$ 355,8 bilhões em dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP), um crescimento de 15,2% em relação ao ano anterior. Esse avanço expressivo ocorreu mesmo sem considerar os tradicionais gigantes do setor, Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), cujos pagamentos generosos costumam inflar os números do mercado.
Quando excluímos Petrobras e Vale, o recorde é ainda mais notável: R$ 274,4 bilhões em dividendos pagos, um salto de 49% frente a 2024. Esse movimento reflete a corrida das empresas para aproveitar a janela de isenção fiscal antes da entrada em vigor das novas regras de tributação de dividendos, prevista para 2026. O prazo médio entre o anúncio e o pagamento dos proventos também aumentou, passando de 80,9 para 99,4 dias, indicando uma estratégia de gestão de caixa mais cautelosa diante do novo ambiente regulatório.
A iminente taxação dos dividendos, que voltará a ser aplicada para valores acima de R$ 50 mil mensais por pessoa com alíquota de 10% de Imposto de Renda, motivou as empresas a anteciparem pagamentos e aprovarem dividendos extraordinários. Importante destacar que dividendos anunciados até 31 de janeiro de 2026 permanecerão isentos, mesmo que pagos até 2028, após decisão do STF que estendeu o prazo de isenção. Já o JCP passou a ser tributado a 17,5%, acima dos 15% anteriores, tornando o cenário ainda mais desafiador para o planejamento financeiro das companhias.
Esse contexto fez com que 2026 já inicie com mais de R$ 80 bilhões em dividendos provisionados, evidenciando o esforço das empresas em garantir benefícios fiscais aos seus acionistas. A Vale, por exemplo, anunciou R$ 15,3 bilhões em dividendos no fim de 2025, valor que ainda será creditado aos investidores.
Maiores pagadoras de dividendos em 2025
Entre as maiores pagadoras de dividendos em 2025, a Petrobras liderou com R$ 60,79 bilhões, apesar de uma queda de 41% em relação ao ano anterior devido à baixa do petróleo. O Itaú (ITUB4) se destacou ao distribuir mais de R$ 55 bilhões, quase o dobro do registrado em 2024, impulsionando também a Itaúsa (ITSA4) ao terceiro lugar do ranking. Ambev (ABEV3), Axia/Eletrobras (ELET3) e Bradesco (BBDC4) também figuram entre os principais nomes, com crescimentos expressivos em seus pagamentos.
No recorte por valor distribuído por ação, o Itaú novamente se sobressaiu, com mais de R$ 5 por papel. Construtoras como Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3), além de elétricas e empresas de saneamento, também ganharam destaque, mostrando que a diversificação setorial é uma tendência relevante para quem busca renda passiva consistente.
Ferramenta para acompanhar o calendário de proventos
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