Tensão geopolítica e oferta global afetam preços do petróleo e desempenho das ações na B3
Petróleo Brent e o cenário internacional
O petróleo Brent, referência global entre as commodities energéticas, está atualmente cotado em torno de US$ 60 por barril, refletindo um cenário de alta volatilidade e incerteza no mercado internacional. O contexto geopolítico, especialmente a recente crise política na Venezuela e a possível derrubada de Nicolás Maduro, adiciona camadas de complexidade às projeções para o setor em 2026.
A Venezuela, vizinha estratégica do Brasil, detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com impressionantes 303 bilhões de barris, o equivalente a cerca de 17% das reservas globais, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA). Em comparação, o Brasil possui reservas provadas de 16,8 bilhões de barris, conforme a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Essa disparidade reforça a importância da região para o equilíbrio do mercado global de energia.
Estratégias da Petrobras e a Margem Equatorial
A Petrobras (PETR4) , principal estatal brasileira do setor, tem direcionado esforços para a exploração da Margem Equatorial, área que compartilha características geológicas com as vastas reservas venezuelanas. A expectativa é que, apenas com esse novo "pré-sal", a companhia possa atingir uma produção de 700 mil barris diários, ampliando sua relevância no cenário internacional.
No entanto, a possível normalização das exportações venezuelanas, impulsionada por uma eventual reabertura dos mercados sob influência do governo Trump, pode alterar drasticamente o equilíbrio entre oferta e demanda. Analistas de mercado, como Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, alertam que, embora o preço do Brent possa experimentar picos de valorização no curto prazo devido ao choque inicial da crise, a retomada plena da produção venezuelana tende a pressionar os preços para baixo no médio prazo, diante do aumento significativo da oferta global.
Impactos no mercado e desempenho das petroleiras brasileiras
Esse movimento já se reflete nas expectativas para 2025, com o petróleo caminhando para seu pior desempenho anual desde 2020. O excesso de oferta, somado a tensões geopolíticas não apenas na Venezuela, mas também em conflitos como o da Ucrânia e Rússia, mantém investidores em alerta e contribui para a instabilidade dos preços.
No mercado brasileiro, as ações das principais petroleiras listadas na B3 têm apresentado desempenhos variados nos últimos 12 meses. Enquanto a Petrobras (PETR4) acumula uma rentabilidade real negativa de 13,74%, mas com dividend yield robusto de 10,53%, empresas como Prio (PRIO3) , Brava Energia (BRAV3) , PetroReconcavo (RECV3) e Cosan (CSAN3) também registram quedas expressivas em rentabilidade, com destaque para a Cosan, que amarga uma desvalorização de 36,91%. Por outro lado, Ultrapar (UGPA3) e Vibra Energia (VBBR3) se destacam positivamente, com rentabilidades reais de 33,38% e 60,66%, respectivamente, e dividend yields competitivos.
Ferramentas para análise e decisão
Diante desse cenário de incerteza e volatilidade, investidores atentos buscam ferramentas que permitam comparar o desempenho das petroleiras e avaliar oportunidades em tempo real. A plataforma de Comparador de Ações da AUVP Analítica oferece uma análise detalhada de múltiplos indicadores fundamentalistas, auxiliando na tomada de decisão estratégica em um setor tão sensível às oscilações globais.