Estudo do Bradesco BBI destaca setores promissores e impacto da queda dos juros reais em 2026
Os juros reais pagos pelos títulos públicos brasileiros permanecem entre os mais altos do mundo, criando uma concorrência direta com outros investimentos, especialmente a renda variável.
Esse cenário tem influenciado fortemente o comportamento dos investidores em 2025, levando a resgates recordes em fundos de ações, mesmo com o desempenho positivo da bolsa no final do ano.
Apesar desse ambiente desafiador, uma análise do Bradesco BBI revela que diversas ações negociadas na B3 apresentam potencial para superar, em um horizonte de dez anos, o retorno das NTN-B com vencimento em 2035.
O estudo reforça a importância de uma carteira diversificada e da avaliação criteriosa do prêmio de risco, sobretudo em um contexto de possível queda dos juros reais nos próximos anos.
Comparativo com a renda fixa: potencial de superação
O levantamento do Bradesco BBI utilizou projeções de preço justo para 2026 e, a partir de 2027, estimativas de fluxo de caixa descontado ajustado para calcular o retorno real esperado de 131 ações da B3. Esses retornos foram comparados ao desempenho projetado das NTN-B 2035, que atualmente oferecem juros reais próximos de 7% ao ano acima da inflação. O resultado: 60 ações, distribuídas em quatro dos dezesseis setores analisados, têm potencial para superar a renda fixa no período de dez anos, mesmo diante dos juros elevados. Setores como têxtil, varejo de alimentos, agronegócio e educação se destacam nesse cenário. O número de oportunidades pode crescer caso os juros reais recuem.
Ajuste pelo risco: oportunidades mais restritas
Ao ajustar as projeções pelo risco, considerando a volatilidade histórica dos ativos, o número de ações com potencial de superar a renda fixa cai para 31. Educação e agronegócio continuam entre os setores mais promissores, com retornos reais ajustados estimados em 7,7% e 7,5% ao ano, respectivamente. O Bradesco BBI ressalta que os rendimentos atuais das NTN-B estão próximos das máximas históricas e dificilmente se manterão nesse patamar por muito tempo.
Large Caps versus Small Caps: desempenho desigual
O estudo segmentou as ações em dois grupos conforme o valor de mercado. As empresas de grande capitalização (acima de US$ 1 bilhão) superaram o Ibovespa (IBOV) em 12 pontos percentuais no acumulado do ano, enquanto as de menor capitalização ficaram 3 pontos percentuais abaixo do índice de Small Caps (SMLL) . No comparativo, as Large Caps dominaram o desempenho, superando as Small Caps em cerca de 30 pontos percentuais ao longo de 2025.
Perspectivas: queda dos juros pode ampliar oportunidades
A expectativa do Bradesco BBI é que o número de ações com retorno superior à renda fixa aumente significativamente caso os rendimentos das NTN-B recuem, movimento considerado provável a partir do primeiro semestre de 2026 com a redução da Selic (SELIC) e avanços em reformas fiscais. O Brasil segue como destaque na América Latina, com investidores estrangeiros sendo compradores líquidos de ações brasileiras em 2025, apesar das saídas de investidores locais. Com a queda dos juros, espera-se o retorno do investidor doméstico à bolsa e um potencial de valorização de cerca de 20% para o Ibovespa (IBOV) , caso os juros reais cheguem a 5%.
Entre as ações destacadas pelo banco para um posicionamento mais ofensivo, figuram nomes sensíveis às taxas de juros e ao mercado de capitais, como Localiza, Assaí, Allos (ALOS3) , BTG Pactual e Sabesp (SBSP3) . Entre as Large Caps com maior potencial de retorno real ajustado estão Banco do Brasil (BBAS3) , JBS (JBSS3) , XP Inc (XPBR31) , Energisa (ENGI11) , Stone (STNE) , Inter & Co, Taesa (TAEE11) , Cyrela (CYRE3) , Grupo Mateus (GMAT3) , SLC Agrícola (SLCE3) , HapVida (HAPV3) , Brava Energia (BRAV3) e Azzas.
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