Conflitos entre EUA e Irã elevam preço do petróleo e impactam dólar e bolsas brasileiras
O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana sob forte tensão, refletindo o aumento das hostilidades no Oriente Médio e seus desdobramentos sobre o fluxo global de petróleo. O Ibovespa (IBOV) recua, enquanto o dólar volta a ganhar força frente ao real, em meio à escalada dos conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, que já impactam diretamente a principal rota de escoamento do petróleo mundial, o Estreito de Ormuz.
Tensões geopolíticas e impacto no petróleo
No último final de semana, uma nova onda de ataques entre Estados Unidos e Irã elevou o risco geopolítico na região. A Guarda Revolucionária iraniana chegou a anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa grande parte do petróleo exportado globalmente. Apesar de os Estados Unidos negarem o bloqueio, a decisão de cobrar um pedágio de 20% sobre toda carga transportada pelo estreito, anunciada por Donald Trump, adicionou incerteza ao cenário. Trump defendeu a medida como uma forma de compensar os custos de garantir a segurança em uma das regiões mais instáveis do planeta.
Esse ambiente de instabilidade rapidamente se refletiu nos mercados internacionais. O petróleo Brent disparou, aproximando-se novamente dos US$ 80 o barril, impulsionando as ações de petroleiras e pressionando bolsas globais. O movimento reforça a sensibilidade dos mercados a eventos geopolíticos e destaca a importância estratégica do Oriente Médio para o equilíbrio do setor energético.
Ibovespa pressionado e dólar em alta
No Brasil, o Ibovespa (IBOV) perdeu o suporte dos 177 mil pontos, recuando 0,79% aos 176.461 pontos por volta do meio-dia. O desempenho negativo foi puxado principalmente por empresas do setor de mineração, varejo e construção civil, com destaque para Vale, Direcional, Weg, MRV, Auren e C&A entre as maiores quedas do dia. O dólar, por sua vez, subiu 0,12%, sendo negociado a R$ 5,12, interrompendo uma sequência de três baixas consecutivas.
O cenário de aversão ao risco foi agravado por fatores domésticos, como a divulgação de nova pesquisa eleitoral BTG/Nexus, que mostra empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com leve vantagem para o atual presidente. A incerteza política adiciona volatilidade ao ambiente já pressionado pelo contexto internacional.
Petroleiras em destaque e juros futuros em alta
Apesar do tom negativo, as ações de petroleiras listadas na B3 se beneficiaram da alta do Brent. Petrobras (PETR4) avançava 2,72%, negociada acima dos R$ 40, enquanto Prio (PRIO3) e Ultrapar (UGPA3) também figuravam entre as maiores altas do dia. CSN Mineração e CSN completavam o grupo de destaques positivos.
A valorização do petróleo também influenciou as taxas futuras de juros, que subiram diante da revisão das expectativas de inflação e da perspectiva de manutenção de taxas mais elevadas no Tesouro Direto, refletindo o ambiente de maior cautela dos investidores.
Para quem deseja acompanhar em tempo real o desempenho das principais ações do Ibovespa (IBOV) e identificar oportunidades em meio à volatilidade, a ferramenta de Ranking de Ativos da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada dos destaques de alta e baixa do mercado brasileiro.