Itaú, Bradesco e Santander crescem, mas queda do Banco do Brasil impacta setor; projeções para 2026 são otimistas
O desempenho dos grandes bancos brasileiros em 2025 trouxe uma reviravolta inesperada para o setor financeiro.
Após quatro anos consecutivos de crescimento, o lucro combinado de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) recuou 4,4% em relação a 2024, totalizando R$ 107,8 bilhões. Esse movimento marca a primeira queda desde a pandemia de covid-19, sinalizando mudanças relevantes no cenário bancário nacional.
Contexto e principais números
O resultado negativo surpreende, sobretudo porque Itaú registrou mais um lucro recorde e Bradesco e Santander apresentaram sinais claros de recuperação. O grande responsável pelo recuo foi o Banco do Brasil, que viu seu lucro despencar 45,4% em 2025, pressionado pelo aumento da inadimplência e das provisões no agronegócio. O BB encerrou o ano com R$ 20,7 bilhões de lucro líquido, o menor patamar desde 2020, contaminando o desempenho agregado do setor.
Enquanto isso, Bradesco ultrapassou o Banco do Brasil em lucratividade, impulsionado por uma forte expansão da carteira de crédito e receitas de serviços, além de um rígido controle de despesas. O banco privado lucrou R$ 24,6 bilhões, alta de 26,1% sobre o ano anterior, liderando o crescimento entre os grandes bancos. Santander também manteve trajetória positiva, superando R$ 15 bilhões em lucro anual, enquanto o Itaú consolidou sua liderança com R$ 46,8 bilhões, alta de 13,1%.
Tendências e projeções para 2026
Olhando para 2026, as projeções são otimistas. A expectativa de queda da taxa Selic e uma postura mais seletiva no crédito devem favorecer a rentabilidade dos bancos. O Itaú projeta novo recorde, com alta de 9% e lucro próximo de R$ 51 bilhões. Bradesco espera crescer 11,4%, podendo alcançar R$ 27,5 bilhões, enquanto o Banco do Brasil estima recuperação entre 15% e 26%, embora ainda distante do pico de 2024. Santander, por sua vez, aposta na expansão de segmentos mais rentáveis e na redução gradual da inadimplência.
Análise de mercado e recomendações
No pós-balanço, o Itaú permanece como o favorito entre analistas, sustentando recomendação de compra em grandes casas de análise. Bradesco e Santander, apesar da recuperação, já precificaram boa parte das melhorias recentes, levando a recomendações neutras. O Banco do Brasil, ainda sob efeito da crise no agronegócio, inspira cautela, com a maioria dos analistas mantendo postura neutra, apesar de algumas recomendações de compra pontuais.
Para o investidor atento, o momento exige análise criteriosa dos múltiplos, perspectivas de crescimento e movimentos recentes das ações. O setor bancário segue relevante na bolsa, mas a seletividade e o timing de entrada podem fazer toda a diferença nos retornos futuros.
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