Valuation descontado e potencial do agronegócio atraem interesse, enquanto Bradesco e Itaú também ganham destaque
Banco do Brasil (BBAS3) volta ao radar de investidores estrangeiros
O Banco do Brasil (BBAS3) volta a atrair o olhar de investidores estrangeiros após um período de baixa em 2025, marcado por resultados aquém do esperado e questionamentos sobre a qualidade de sua carteira de crédito. Segundo analistas do BTG Pactual, que participaram recentemente de um roadshow nos Estados Unidos, o interesse internacional pelo banco cresceu de forma significativa, impulsionado principalmente pelo preço descontado das ações em relação ao valor patrimonial.
Esse descompasso entre preço de mercado e valor patrimonial levanta discussões sobre uma possível subprecificação do Banco do Brasil, sugerindo que o mercado pode estar exagerando nos riscos e ignorando o potencial de recuperação da instituição. Para parte dos investidores globais, essa assimetria representa uma oportunidade de ganhos expressivos caso o cenário macroeconômico e setorial se torne mais favorável.
O agronegócio, setor no qual o Banco do Brasil é o principal financiador, também pesa positivamente na avaliação dos estrangeiros. Apesar dos desafios recentes, o agro segue como um dos pilares da economia nacional, e há uma percepção de que a qualidade dos ativos do banco tende a se normalizar com o tempo, favorecendo a retomada dos resultados e a redução das provisões.
O componente político, especialmente com as eleições de 2026 no horizonte, adiciona uma camada extra de incerteza e potencial. Como estatal, o Banco do Brasil é sensível ao risco político, assim como a Petrobras (PETR4) , e investidores estrangeiros buscam antecipar cenários em que uma eventual mudança de governo possa favorecer uma postura mais alinhada ao mercado, impulsionando as ações.
A queda acumulada das ações em 2025, longe de ser apenas um problema, começa a ser vista como parte da oportunidade por investidores atentos à possibilidade de reversão do ciclo. O BTG Pactual destaca que a combinação de valuation depreciado, possível melhora cíclica no agronegócio e um cenário eleitoral mais benigno pode criar uma assimetria positiva para o papel.
Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) também em destaque
Nas conversas com gestores internacionais, o Bradesco (BBDC4) também ganhou destaque. Diferentemente do Banco do Brasil, o Bradesco apresentou forte valorização em 2025, impulsionada pela recuperação do retorno sobre patrimônio e pela melhora operacional. Ainda assim, pairam dúvidas sobre a sustentabilidade desse movimento e se ele representa uma transformação estrutural ou apenas um ajuste tático.
Entre as principais questões levantadas estão o impacto de um eventual ciclo de queda dos juros sobre os lucros dos bancos, o nível sustentável de rentabilidade e, no caso do Banco do Brasil, se os problemas na carteira de crédito do agronegócio são cíclicos ou estruturais.
O BTG aponta que alguns hedge funds internacionais já estão posicionados em Bradesco, apostando na continuidade da melhora dos indicadores de rentabilidade, enquanto o valuation ainda não reflete plenamente essa recuperação. Apesar disso, o banco mantém preferência tática por Bradesco em relação ao Banco do Brasil, mas reforça que o Itaú (ITUB4) segue sendo sua única recomendação de compra entre os grandes bancos brasileiros.
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