Mercado reage a corte de juros nos EUA, decisão do Copom e movimentações políticas no Brasil
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou a quinta-feira (11) com leve alta de 0,07%, atingindo 159.189 pontos. O desempenho reflete um cenário de volatilidade, influenciado tanto pelo ambiente político doméstico quanto pelo otimismo vindo de Wall Street, que renovou recordes após o corte de juros nos Estados Unidos.
Durante a sessão, o Ibovespa (IBOV) oscilou, mas consolidou ganhos no final do pregão, acompanhando o rali das bolsas americanas. O Federal Reserve realizou o terceiro corte consecutivo de juros, reduzindo a taxa para o intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, o que impulsionou o apetite global por risco. O dólar à vista recuou 1,17%, fechando a R$ 5,40, refletindo o fluxo estrangeiro para ativos brasileiros e commodities.
No cenário interno, a política seguiu como fonte de volatilidade. A movimentação de Flávio Bolsonaro, que condicionou sua desistência da pré-candidatura à Presidência à elegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro, manteve o ambiente tenso. Além disso, o Planalto confirmou um telefonema entre o presidente Lula e Nicolás Maduro, destacando esforços de pacificação regional e o papel do Brasil como mediador em conflitos latino-americanos.
Decisão do Copom e impacto nos mercados
Outro ponto de atenção foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic (SELIC) em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva. O comunicado do Banco Central reforçou a estratégia de juros elevados por período prolongado, visando garantir a convergência da inflação à meta. O BC sinalizou ainda que permanece vigilante e pode retomar o ciclo de alta se necessário, o que mantém investidores atentos ao cenário macroeconômico.
Destaques do Ibovespa: altas e quedas
Entre as ações mais negociadas, a Vale (VALE3) liderou o fluxo comprador, subindo quase 2% e atingindo R$ 72, maior valor desde fevereiro de 2023, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro. O movimento também beneficiou os bancos. Em contrapartida, Petrobras (PETR4) recuou cerca de 2%, acompanhando a queda do petróleo Brent, enquanto Suzano (SUZB3) registrou a maior baixa do dia, caindo mais de 4% após reduzir projeções de capex para 2026. Hapvida (HAPV3) avançou mais de 3% em movimento de recuperação, apesar de ainda acumular perdas expressivas no ano.
Cenário internacional e repercussões
Nos Estados Unidos, o otimismo prevaleceu após o corte de juros, com o Dow Jones e o S&P 500 (SPX) renovando máximas históricas. No entanto, o Nasdaq (NDX) recuou, pressionado pela queda das ações da Oracle, que despencaram mais de 15% após previsões mais fracas e aumento das despesas de capital, levantando dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial.
Na Europa, o Stoxx 600 subiu 0,55%, enquanto na Ásia o tom foi negativo, com quedas no Nikkei e no Hang Seng.
Perspectivas e análise
O desempenho do Ibovespa (IBOV) reflete um equilíbrio delicado entre fatores externos positivos e incertezas domésticas. O fluxo estrangeiro segue sustentando o mercado, mas a volatilidade política e a postura cautelosa do Banco Central mantêm os investidores atentos. O cenário global, com cortes de juros nos EUA, tende a favorecer ativos de risco, mas a trajetória da Selic (SELIC) e o ambiente político brasileiro serão determinantes para o comportamento do índice nos próximos meses.
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