Mercado reage a fatores internos, cenário político e dados internacionais; Vale e Embraer se destacam em alta
Ibovespa fecha em queda e dólar sobe em meio à cautela no mercado
O Ibovespa (IBOV) encerrou a quarta-feira (12) em queda de 0,23%, aos 167.491,07 pontos, consolidando mais um dia negativo em agosto. O índice, que só não caiu no dia 3 deste mês, segue pressionado por fatores internos e externos, refletindo o clima de cautela que domina o mercado brasileiro. Desde o último fechamento positivo, em 31 de julho, o Ibovespa acumula perdas, enquanto o dólar comercial subiu 0,36%, cotado a R$ 5,17, em meio a uma sessão marcada por volatilidade. Os juros futuros também apresentaram alta ao longo da curva, reforçando o ambiente de incerteza para investidores.
Cenário internacional e reações do mercado
No cenário internacional, o tom foi mais ameno. A inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) de julho veio em linha com as expectativas, reduzindo a pressão para um novo aumento de juros na próxima reunião do Federal Reserve. Analistas destacam que, com a urgência do Fed diminuída, os próximos dados de inflação e emprego serão decisivos para a política monetária americana. Wall Street reagiu positivamente, com a maioria dos índices fechando em alta, à exceção do Dow Jones.
Tensões geopolíticas e impacto no petróleo
No Oriente Médio, a tensão entre Estados Unidos e Irã permanece elevada, sem sinais de resolução. Enquanto o governo americano acusa o Irã de retórica sem ação, os iranianos adotam postura militar mais firme, o que mantém o petróleo estável, com leves altas.
Fatores internos e perspectivas para o mercado brasileiro
No Brasil, o sentimento negativo foi intensificado pelo rebaixamento da recomendação do JPMorgan para neutro, refletindo preocupações com a trajetória da Selic (SELIC) e o cenário político incerto para as eleições de 2026. Gestoras como a Dahlia Capital alertam para uma possível intensificação da volatilidade nos ativos brasileiros nas próximas semanas, diante de um eleitorado ainda indeciso e propenso a definir seu voto apenas próximo ao pleito.
Indicadores e desempenho setorial
Apesar do ambiente desafiador, alguns indicadores trouxeram alívio. A Pesquisa Mensal de Serviços de junho apresentou estabilidade, levemente acima das expectativas, embora sem alterar a percepção de desaceleração econômica. Para o Bradesco BBI, a recente queda do Ibovespa está mais relacionada a ajustes técnicos, alta dos juros futuros e migração de recursos para o setor de tecnologia global do que a uma piora dos fundamentos domésticos. No varejo, as vendas na semana do Dia dos Pais cresceram 7% em valor transacionado, segundo a Getnet, sinalizando resiliência do consumo.
Destaques do pregão: ações em evidência
Entre os destaques do pregão, a Vale ( VALE3 ) liderou as altas com avanço de 0,79%, impulsionada pela valorização do minério de ferro na China. A Embraer (EMBR3) também teve desempenho expressivo, subindo 4%, embora ainda abaixo dos R$ 100. Já a Petrobras ( PETR4 ) recuou 0,50%, mesmo com o petróleo em leve alta. No lado negativo, a Direcional ( DIRR3 ) despencou 4,72% após divulgar um balanço pressionado por cancelamentos, enquanto a B3 ( B3SA3 ) caiu 0,36% após apresentar seus resultados do segundo trimestre.
Desempenho dos bancos
O setor bancário apresentou desempenho misto: Banco do Brasil ( BBAS3 ) caiu 1,45%, Bradesco ( BBDC4 ) recuou 0,30% e Itaú Unibanco ( ITUB4 ) perdeu 1,46%, enquanto Santander ( SANB11 ) avançou 0,34%.
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