Setores financeiro, energia e utilities devem destacar-se nos pagamentos de proventos no início do próximo ano
Com a aproximação de 2026, o mercado financeiro volta seus olhos para as empresas da B3 que prometem liderar o pagamento de dividendos no início do próximo ano.
Analistas apontam que o ambiente macroeconômico, aliado a mudanças regulatórias e estratégias corporativas, cria condições favoráveis para anúncios expressivos de proventos, ainda que o calendário tradicional de pagamentos esteja sujeito a distorções.
Bancos, energia e geração de caixa: os protagonistas do cenário
O perfil das empresas mais cotadas para distribuir dividendos robustos permanece alinhado ao histórico do investidor brasileiro. Organizações com forte geração de caixa e tradição em distribuição de lucros, como bancos, companhias de energia e grandes players de commodities, seguem no centro das projeções. Essas empresas, especialmente as de maior porte, apresentam modelos de negócios maduros e resultados previsíveis, fatores que sustentam dividendos elevados.
A expectativa de cortes na taxa de juros em 2026 deve impulsionar ainda mais as empresas voltadas ao mercado interno, ampliando seus lucros e, consequentemente, a capacidade de remunerar acionistas. Além disso, a antecipação de dividendos observada em 2025, motivada pela nova tributação, pode resultar em anúncios relevantes entre o final deste ano e o início do próximo. Bancos de grande porte e empresas reguladas com geração recorrente de caixa permanecem como candidatas naturais a liderar os pagamentos, beneficiadas pelo cenário de juros em queda.
Antecipações, ciclo econômico e mudanças no perfil dos dividendos
Apesar da manutenção dos setores líderes, fatores extraordinários têm alterado o calendário e o volume dos pagamentos. A antecipação de proventos para evitar a nova tributação já elevou os dividendos anunciados em 2025, o que pode impactar o volume disponível para distribuições regulares no início de 2026 ou, alternativamente, inflar os números desse período.
O setor financeiro, em especial, tende a retomar o protagonismo na remuneração aos acionistas. O Banco do Brasil (BBAS3), mesmo negociando com desconto por questões políticas, destaca-se pela governança sólida e payout de 40%, proporcionando retorno líquido expressivo ao investidor. No segmento de utilities, empresas elétricas como Taesa (TAEE11) e CPFL (CPFE3) se sobressaem pela previsibilidade de receitas indexadas à inflação e potencial de valorização. A redução do ciclo de investimentos nessas companhias deve liberar fluxo de caixa livre para os acionistas em 2026.
O mercado vive uma transição dos chamados “dividendos de oportunidade”, impulsionados pelo boom das commodities entre 2021 e 2023, para “dividendos de estrutura”, fundamentados em juros, spreads e eficiência tributária. Bancos como Banco do Brasil e Bradesco aceleraram pagamentos via JCP para aproveitar a atual janela fiscal, evidenciando essa rotação estrutural.
Setores com maior probabilidade de pagar mais dividendos em 2026
As projeções indicam que o setor financeiro, energia e utilities, empresas de commodities e exportadoras, além daquelas com histórico de proventos antecipados, devem concentrar os maiores pagamentos de dividendos no início de 2026.
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