Mercado reage à candidatura de Flávio Bolsonaro e aversão ao risco derruba ações e eleva juros
O dólar disparou 2,29%, fechando cotado a R$ 5,43, no maior patamar em meses
🚨 A sexta-feira (5) marcou um verdadeiro banho de água fria para os investidores brasileiros. O Ibovespa (IBOV), principal índice da B3 B3 (B3SA3), foi do otimismo ao pânico em poucas horas.
Após renovar sua máxima histórica intradia ao superar os 165 mil pontos, o índice sofreu uma virada brusca e fechou em queda de 4,31%, aos 157.369 pontos, na pior queda diária desde fevereiro de 2021.
A queda de mais de 7 mil pontos intradia representou um tombo inesperado, impulsionado por forte aversão ao risco político, após o anúncio de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República, com o apoio declarado de seu pai, Jair Bolsonaro, hoje inelegível e preso por tentativa de golpe de Estado.
Enquanto os mercados globais seguiam em tom positivo, com os principais índices de Wall Street em alta, o Brasil se descolou do otimismo internacional, pressionado por temores eleitorais, risco fiscal e desconfiança quanto à governabilidade futura.
O QUE CAUSOU A VIRADA DE HUMOR NO MERCADO?
Segundo analistas, o estopim da reação foi a confirmação pública de Flávio Bolsonaro como candidato da direita em 2026, o que desidratou as expectativas do mercado quanto a uma eventual candidatura mais moderada, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto por muitos investidores como nome com mais apelo ao centro político e ao pragmatismo fiscal.
“A nomeação de Flávio altera o equilíbrio político e, para o mercado, sinaliza maior incerteza sobre o cenário eleitoral. Isso compromete expectativas de continuidade de reformas e de responsabilidade fiscal”, explicou Christian Iarussi, economista da The Hill Capital.
Além disso, o movimento levanta dúvidas sobre a capacidade de articulação do campo de oposição e fragiliza a perspectiva de um plano econômico robusto a partir de 2027, seja em um eventual novo governo ou na continuidade da atual administração.
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DÓLAR DISPARA, JUROS SOBEM E BANCOS PERDEM R$ 50 BILHÕES
A instabilidade também se refletiu em outros ativos. O dólar disparou 2,29%, fechando cotado a R$ 5,4318, no maior patamar em meses. Na semana, a moeda acumulou alta de 1,82%.
Já os juros futuros (DIs) subiram de forma generalizada, com contratos mais longos avançando mais de 40 pontos-base, movimento típico em momentos de estresse político.
Os bancos, com grande peso no Ibovespa, lideraram as perdas e, juntos, perderam mais de R$ 50 bilhões em valor de mercado.
SETORES CÍCLICOS DESPENCAM
Na ponta negativa, ações ligadas ao consumo doméstico, como Yduqs (YDUQ3), Cyrela (CYRE3) e Azzas (AZZA3), desabaram mais de 10%, puxadas pela piora na percepção de risco e pelo impacto da alta dos juros sobre o crédito e o poder de compra.
Em contrapartida, apenas quatro papéis encerraram o dia no azul, como a WEG (WEGE3), Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) e Braskem (BRKM5), favorecidas por sua exposição ao mercado externo e pela valorização do dólar.
FED NO RADAR
Nos EUA, os mercados operaram em leve alta, sustentados por dados de inflação (PCE) que vieram dentro do esperado, reforçando a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve na próxima semana.
📊A ferramenta FedWatch, do CME Group, mostra 87% de chance de corte de 0,25 ponto percentual nos juros, levando a taxa para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
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