Criptomoeda se recupera após queda, enquanto Ibovespa e renda fixa também avançam no mês
O desempenho dos investimentos em julho trouxe surpresas e lições importantes para quem acompanha o mercado financeiro.
O Bitcoin, após um período de forte volatilidade, superou tanto o Ibovespa (IBOV) quanto a renda fixa, consolidando-se como o melhor investimento do mês. Essa recuperação, embora expressiva, ainda não foi suficiente para apagar as perdas acumuladas ao longo do ano, mas reacendeu o debate sobre o apetite ao risco e a dinâmica dos ativos digitais frente a cenários globais incertos.
Contexto e recuperação do Bitcoin
O mês de julho começou com o Bitcoin pressionado, cotado abaixo dos US$ 60 mil, reflexo de uma queda de 20% em junho — a maior desde o chamado inverno cripto de 2022. No entanto, a principal criptomoeda do mercado mostrou resiliência e chegou a se aproximar dos US$ 67 mil, encerrando julho com valorização de 4,36%, cotada a US$ 62,8 mil. Esse movimento foi impulsionado pela redução das saídas de recursos dos ETFs de Bitcoin e por uma leve retomada do apetite ao risco entre investidores globais.
Apesar do avanço no mês, o Bitcoin ainda acumula queda de 32,69% em 2024 e de 50,18% nos últimos 12 meses, mantendo-se distante do recorde histórico de US$ 126 mil registrado em outubro de 2025. Analistas alertam para os riscos persistentes, especialmente diante das incertezas geopolíticas e da política monetária dos Estados Unidos. O Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, mas o mercado já projeta possíveis altas em 2026, o que pode tornar os Treasuries mais atraentes e limitar o fluxo para ativos de maior risco, como as criptomoedas.
Ibovespa e renda fixa também avançam
O Ibovespa (IBOV), principal índice da Bolsa brasileira, também teve um mês positivo, subindo 3,47% após quatro meses consecutivos de queda. O desempenho foi favorecido pelo arrefecimento da inflação, que renovou as expectativas de cortes na taxa Selic (SELIC). A renda fixa, por sua vez, manteve ganhos consistentes, beneficiada pelo cenário de inflação e juros ainda elevados, mas com sinais de melhora.
Ativos internacionais e segmentos de risco em baixa
Enquanto isso, os ativos internacionais decepcionaram. O índice BDRX (BDRX), que reflete o desempenho dos principais BDRs da B3, liderou as perdas com queda de 2,04%. O dólar e o euro também se desvalorizaram frente ao real, com baixas de quase 2% e 1%, respectivamente. No mercado doméstico, small caps, fundos multimercado e fundos imobiliários fecharam julho no vermelho, evidenciando a seletividade dos investidores diante do cenário macroeconômico.
Ranking dos investimentos em julho
O levantamento da Elos Ayta Consultoria destacou o Bitcoin como o grande vencedor do mês, seguido pelo Ibovespa (IBOV) e pelo índice de dividendos (IDIV (IDIV)). A renda fixa, representada pelo CDI (CDI) e pelo Ima Geral, também apresentou retornos positivos, enquanto a poupança e o ouro tiveram ganhos mais modestos. Por outro lado, IFIX (IFIX), IHFA, small caps, moedas estrangeiras e BDRX (BDRX) ficaram entre os piores desempenhos do período.
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