Líder da Vanguard compara Bitcoin a fenômeno viral e destaca desafios para investidores institucionais
A recente declaração de John Ameriks, líder global de ativos quantitativos da Vanguard, reacendeu o debate sobre o papel do Bitcoin no portfólio de grandes investidores institucionais.
Em uma conferência sobre criptoativos em Nova York, Ameriks comparou o Bitcoin ao fenômeno dos bichinhos de pelúcia Labubu, que viralizaram nas redes sociais e elevaram a fabricante Pop Mart a um valor de mercado superior ao da mineradora brasileira Vale (VALE3). A analogia, que chamou o Bitcoin de 'Labubu Digital', evidencia a visão cética de parte do mercado tradicional sobre a maior criptomoeda do mundo, cujo valor de mercado já ultrapassa US$ 1,8 trilhão.
Contexto e Contradições no Mercado
Apesar do tom crítico, a própria Vanguard permite que seus clientes negociem ETFs lastreados em Bitcoin nos Estados Unidos, o que revela uma postura ambígua das grandes gestoras diante do avanço das criptomoedas. Enquanto executivos questionam a solidez e o potencial de longo prazo do Bitcoin, a demanda crescente por produtos financeiros ligados ao ativo digital pressiona o setor a oferecer alternativas para investidores que buscam diversificação e exposição ao universo cripto.
O Impacto das Criptomoedas no Mercado Tradicional
A fala de Ameriks também destacou a ausência de evidências claras de que a tecnologia blockchain, base do Bitcoin, gere valor econômico duradouro. Mesmo após um ano de conquistas regulatórias para o setor, com destaque para a volta de Donald Trump à presidência dos EUA e a aprovação de novas leis favoráveis ao mercado cripto, o Bitcoin ainda enfrenta volatilidade e desconfiança. Em 2025, o ativo acumula queda de 30% em relação ao seu pico histórico de US$ 126,1 mil registrado em outubro, reforçando o argumento de que, apesar do entusiasmo, o caminho para a consolidação como reserva de valor ainda é incerto.
Rentabilidade e Comparação com Ativos Tradicionais
Dados recentes mostram que, nos últimos 12 meses, um investimento de R$ 1 mil em Bitcoin teria se desvalorizado para R$ 836,90, enquanto um CDB atrelado ao CDI (CDI) teria rendido R$ 1.140,60 no mesmo período. Essa diferença de performance ressalta o desafio de equilibrar inovação e segurança em carteiras de investimento, especialmente para quem busca estabilidade e previsibilidade.
Análise e Perspectivas
A discussão sobre o papel do Bitcoin e das criptomoedas no portfólio institucional está longe de um consenso. O interesse crescente de Wall Street, mesmo diante de críticas públicas, indica que o mercado financeiro tradicional reconhece o potencial disruptivo dos ativos digitais, mas ainda exige provas concretas de sua resiliência e capacidade de geração de valor no longo prazo.
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