Minerva Foods, MBRF e JBS sofrem quedas; JBS é recomendada para compra com potencial de alta
O início de 2026 trouxe um cenário desafiador para os frigoríficos brasileiros exportadores de carne bovina, especialmente diante da decisão do governo chinês de impor uma tarifa de 55% sobre as importações que excederem as cotas estabelecidas. Essa medida impactou diretamente as ações das principais empresas do setor, que registraram quedas expressivas na bolsa nesta sexta-feira (2).
Impacto imediato no mercado de ações
Entre as companhias mais afetadas, a Minerva Foods (BEEF3) viu suas ações despencarem 6,60%, sendo negociadas a R$ 5,39. Logo atrás, a MBRF (MBRF3), fruto da fusão entre Marfrig e BRF, recuou 4,45%. O movimento reflete a preocupação dos investidores com a nova política de importação chinesa, que limita o acesso ao maior mercado consumidor de carne bovina do mundo.
No entanto, nem todos os frigoríficos sentiram o impacto da mesma forma. A JBS (JBSS32), com um modelo de negócios mais diversificado tanto em termos geográficos quanto na variedade de proteínas ofertadas, apresentou uma queda mais moderada de 2,62%. Essa resiliência é atribuída à sua capacidade de diluir riscos e acessar diferentes mercados globais, reduzindo a dependência da demanda chinesa.
Estratégias e perspectivas para o setor
Segundo análise do BTG Pactual, a decisão da China sinaliza uma estratégia de longo prazo para incentivar a produção doméstica e evitar que as importações de carne bovina ganhem ainda mais relevância no mercado local. Com a tributação, espera-se um aumento nos preços internos e uma possível reorganização das cadeias globais de suprimento.
Atualmente, as exportações brasileiras de carne bovina representam cerca de 30% das vendas totais do país, com a China absorvendo 54% desse volume. A nova política deve forçar o redirecionamento de aproximadamente um terço dessas exportações para outros mercados, o que equivale a cerca de 5% da produção nacional.
Empresas com operações mais diversificadas na América Latina, como aquelas presentes na Argentina e Uruguai, podem se beneficiar das cotas isentas de tarifas, já que esses países ainda exportam volumes inferiores ao limite estabelecido pela China. Por outro lado, frigoríficos mais dependentes do mercado chinês enfrentam maior incerteza e desafios para manter a rentabilidade.
Recomendações e potenciais de valorização
Diante desse cenário, a JBS se destaca como a única ação do setor de proteínas animais com recomendação de compra, segundo o BTG Pactual, que projeta um preço-alvo de R$ 110 por ação — um potencial de valorização de 42% em 12 meses. Já Minerva Foods e MBRF recebem recomendações neutras, embora apresentem potenciais de valorização de 57% e 35%, respectivamente, caso atinjam seus preços-alvo.
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