Reestruturação da dívida da Raízen pressiona ratings e gera incertezas para investidores
A recente revisão da perspectiva da Cosan (CSAN3) para negativa pela S&P Global Ratings acendeu um alerta no mercado financeiro brasileiro.
O movimento, que manteve o rating em ‘BB’, reflete os riscos crescentes associados à possível reestruturação da dívida da Raízen (RAIZ4), joint venture estratégica entre Cosan e Shell. O contexto é de incerteza, e investidores atentos buscam entender os desdobramentos para o setor e para as empresas envolvidas.
Contexto e impacto imediato
No início da semana, a S&P já havia rebaixado o rating da Raízen para ‘CCC+’, colocando a classificação em observação com viés negativo. A decisão veio após a companhia anunciar a contratação de assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas de capital e liquidez, sinalizando preocupação com o elevado endividamento. Apesar de não haver expectativa de aceleração imediata de vencimentos cruzados ou impacto direto de caixa na Cosan, a agência alerta para potenciais efeitos indiretos relevantes, especialmente no que diz respeito à flexibilidade financeira da holding.
Percepção de risco e governança
A perspectiva negativa atribuída à Cosan incorpora principalmente as incertezas sobre o novo desenho de capital da Raízen e os possíveis reflexos na confiança do mercado. A S&P destacou preocupações com padrões de governança considerados frágeis na Raízen, citando políticas pouco claras no processo de reestruturação. O risco, neste momento, é mais de percepção e reputação do que de impacto financeiro imediato, mas pode evoluir conforme o desfecho das negociações.
Endividamento elevado pressiona a Raízen
O principal fator de pressão é o quadro de alavancagem da Raízen. No segundo trimestre da safra 2025/26, a dívida líquida da companhia atingiu R$ 53,4 bilhões, um salto de quase 49% em relação ao ano anterior. Para enfrentar o desafio, a empresa contratou a Rothschild & Co como assessora financeira e os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb como assessores legais, buscando alternativas estratégicas para reequilibrar sua estrutura de capital. Segundo a administração, as análises ainda estão em estágio preliminar e exploratório, seguindo práticas de governança e mercado.
Análise e projeção
O mercado observa com cautela os próximos passos da Raízen e da Cosan. O risco maior, neste momento, está no efeito reputacional e na eventual necessidade de suporte financeiro futuro por parte da holding, dependendo do desfecho da reestruturação. Para investidores, o cenário exige atenção redobrada à evolução das negociações e à transparência das empresas envolvidas.
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