Rebaixamento de rating e dívida alta geram incertezas; Cosan avalia conversão de dívida em ações
Cenário de incerteza e turbulência para Raízen (RAIZ4)
O cenário de incerteza que ronda a Raízen (RAIZ4) tem provocado fortes turbulências não apenas para quem investe em suas ações, mas também para os detentores de seus títulos de renda fixa. Em meio à crise, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos pela companhia chamam atenção ao oferecerem rentabilidade de até 18% ao ano, isenta de imposto de renda – um patamar muito acima da média do mercado, mas que reflete o aumento do risco de crédito e a ausência de proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Rebaixamento de rating e impacto nos mercados
O contexto de volatilidade se intensificou após a agência S&P Global Ratings rebaixar o rating de crédito da Raízen de ‘CCC+’ para ‘CCC-’, colocando a empresa em um patamar considerado de alto risco de calote. Esse movimento acendeu o alerta entre credores e investidores, levando instituições financeiras a desmontarem operações de proteção cambial e a realizarem vendas expressivas de contratos futuros de dólar com vencimentos em 2035 e 2036. A instabilidade não se limita aos bonds emitidos em dólar, mas também afeta os títulos de dívida negociados no mercado brasileiro.
Dívida elevada e possível conversão em ações
A situação da Raízen é agravada pelo volume expressivo de sua dívida, que já ultrapassa os R$ 50 bilhões. Em resposta à deterioração do cenário, a controladora Cosan (CSAN3) sinalizou ao mercado, por meio de seu CEO Marcelo Martins, a possibilidade de conversão de parte dessa dívida em ações da companhia. Essa estratégia, já vista em outras empresas do setor aéreo como Azul e Gol, pode resultar em significativa diluição do patrimônio dos atuais acionistas e transformar credores em sócios, alterando profundamente a estrutura de capital da empresa.
Risco elevado e prêmio dos CRAs
O prêmio elevado oferecido pelos CRAs da Raízen, com vencimento em outubro de 2033, é um reflexo direto do risco percebido pelo mercado. Embora a rentabilidade de 18% ao ano sem IR seja tentadora, ela carrega consigo o ônus do risco de default e a ausência de garantias adicionais, exigindo do investidor uma análise criteriosa do perfil de risco e do cenário macroeconômico.
Ferramenta para análise de renda fixa
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