Anúncio provoca queda expressiva nos papéis das estatais e aumenta percepção de risco político no mercado
O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou uma reação imediata e negativa no mercado financeiro brasileiro.
Estatais como Banco do Brasil ( Banco do Brasil (BBAS3) ) e Petrobras (PETR4) , tradicionalmente vistas como termômetros políticos, registraram quedas expressivas em suas ações nesta sexta-feira (5). O Banco do Brasil despencou 7,06%, fechando a R$ 21,16, enquanto os papéis preferenciais da Petrobras recuaram 3,54%, encerrando o pregão a R$ 31,37. Juntas, as duas gigantes perderam R$ 26,9 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta.
Contexto político e impacto no mercado
Até então, o mercado apostava em Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e ex-ministro da Infraestrutura, como o nome mais provável para liderar a direita em 2026. Tarcísio é visto como um perfil técnico, de centro-direita, com maior aceitação entre investidores institucionais e agentes do mercado financeiro. A confirmação de Flávio Bolsonaro como pré-candidato, feita inicialmente pelo portal Metrópoles e depois pelo próprio senador em sua rede social, alterou drasticamente o cenário. O endosso explícito de Jair Bolsonaro à candidatura do filho aumentou o risco político percebido e trouxe incertezas sobre o futuro da política fiscal e da governança das estatais a partir de 2027.
A reação dos investidores foi imediata. O anúncio esvaziou as expectativas de que Tarcísio pudesse se consolidar como uma alternativa competitiva ao atual governo, ampliando o temor de volatilidade e imprevisibilidade no ambiente econômico. Para o mercado, a escolha de Flávio Bolsonaro representa um aumento do risco político e uma possível redução do compromisso com responsabilidade fiscal, fatores que pesam diretamente sobre o valor das estatais.
Por que Banco do Brasil e Petrobras foram os mais afetados?
A sensibilidade das estatais à conjuntura política é histórica. Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR4) são frequentemente impactados por mudanças de governo, especialmente quando há dúvidas sobre o grau de intervenção estatal e o compromisso com práticas de governança. Pesquisas recentes do BTG Pactual mostram que investidores enxergam essas empresas como beneficiadas em cenários de centro-direita, com menor interferência política e maior previsibilidade nas decisões estratégicas.
Com a candidatura de Flávio Bolsonaro, considerado menos palatável ao centro político e com maior rejeição entre investidores institucionais, os papéis das estatais sofreram forte correção. O movimento reflete o aumento da percepção de risco e a busca por ativos mais seguros diante do novo cenário eleitoral.
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