Lucro recorde e dividendos da Petrobras animam mercado; dólar fecha em baixa, mas acumula alta semanal
O fechamento do mercado nesta sexta-feira trouxe uma combinação de fatores que movimentaram o Ibovespa (IBOV) e o dólar, refletindo o cenário de incertezas externas e surpresas positivas no ambiente doméstico.
O Ibovespa (IBOV) encerrou o dia com queda de 0,61%, aos 179.364 pontos, acumulando uma retração de 5% nos últimos cinco pregões. Apesar do recuo, o índice encontrou algum alívio na disparada dos preços do petróleo e nos resultados corporativos, especialmente da Petrobras (PETR4), que se destacou como protagonista do pregão.
Petrobras: Recorde histórico e dividendos impulsionam ações
As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) lideraram as altas do Ibovespa (IBOV), com valorização de 3,49%. O desempenho foi impulsionado pelo robusto balanço do quarto trimestre de 2025, que apresentou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, revertendo o prejuízo do ano anterior. O anúncio de R$ 8,1 bilhões em dividendos e a forte alta do petróleo também contribuíram para o otimismo dos investidores. Com esse movimento, a estatal atingiu um valor de mercado inédito de R$ 580,1 bilhões, superando o recorde anterior e consolidando sua posição como a empresa mais valiosa da bolsa brasileira. Durante a teleconferência de resultados, a diretoria sinalizou a possibilidade de retomada do pagamento de dividendos extraordinários, o que reforçou ainda mais o apetite do mercado pelos papéis da companhia.
Na contramão, a Vamos (VAMO3) liderou as perdas do dia, com queda de 7,8%, após o anúncio de um aumento de capital bilionário pela controladora Simpar (SIMH3), que também deve impactar subsidiárias como Movida (MOVI3). O movimento gerou preocupação com a possível diluição dos atuais acionistas, pressionando as ações do setor.
Dólar recua, mas semana é de valorização frente ao real
O dólar à vista fechou em queda de 0,82%, cotado a R$ 5,24, refletindo o alívio momentâneo no mercado de câmbio. No entanto, a moeda norte-americana acumulou valorização de 2,14% na semana, evidenciando a cautela dos investidores diante do cenário internacional e das incertezas fiscais e políticas no Brasil.
Produção industrial surpreende positivamente
No campo doméstico, a produção industrial brasileira surpreendeu positivamente ao avançar 1,8% em janeiro na comparação mensal e 0,2% na base anual. Os números superaram as expectativas do mercado, que projetavam alta de 0,7% no mês e queda de 0,7% no ano, indicando uma resiliência maior da indústria nacional diante dos desafios econômicos.
Cenário internacional: payroll negativo e tensões geopolíticas
No exterior, o destaque ficou para o payroll dos Estados Unidos, que registrou corte de 92 mil vagas em fevereiro, bem abaixo da expectativa de criação de 55 mil postos. A taxa de desemprego subiu para 4,4%, levando o mercado a antecipar apostas de corte de juros pelo Federal Reserve já a partir de julho. Antes do dado, a maioria dos analistas projetava início do afrouxamento monetário apenas em setembro.
No campo geopolítico, as tensões no Oriente Médio se intensificaram após declarações do ex-presidente Donald Trump exigindo a rendição incondicional do Irã, em meio a ataques coordenados com Israel. O ambiente de incerteza global pressionou os principais índices de Wall Street, que fecharam em queda: Dow Jones recuou 0,83%, S&P 500 caiu 0,94% e Nasdaq perdeu 1,02%. Na Europa, o Stoxx 600 atingiu o menor nível em dois meses, enquanto os mercados asiáticos mostraram recuperação, com altas em Tóquio e Hong Kong.
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