Reestruturação e standstill impactam crédito da Raízen, afetando bônus e dívidas em processo judicial
A agência de classificação de risco Moody's Ratings rebaixou significativamente o rating de crédito da Raízen (RAIZ4) nesta terça-feira (18), levando a nota corporativa da joint venture formada por Cosan (CSAN3) e Shell de Caa3 para Ca. Apesar do corte expressivo, a perspectiva, que antes era negativa, foi revisada para estável, sinalizando uma possível estabilização do cenário de risco no curto prazo.
O rebaixamento também afetou os bônus seniores sem garantia, no valor de US$ 187 milhões e com vencimento em 2027, emitidos pela Raízen Fuels Finance e garantidos pela controladora. A decisão da Moody's foi motivada pela recente aprovação judicial de um standstill de 180 dias, que permite à Raízen suspender temporariamente o pagamento de suas obrigações financeiras enquanto negocia com credores.
Esse standstill foi concedido pela Justiça de São Paulo no contexto de um plano de reestruturação extrajudicial, que já conta com a adesão inicial de 47% dos credores envolvidos. Para a Moody's, a abertura desse prazo caracteriza um "distressed exchange", termo utilizado para renegociações em que os credores acabam absorvendo perdas em relação às condições originais dos contratos. Durante esse período, a expectativa é que juros e amortizações das dívidas abrangidas pelo acordo sejam interrompidos.
O escopo do plano de reestruturação inclui uma ampla gama de obrigações financeiras, como bônus emitidos no exterior, debêntures no mercado doméstico, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e notas de crédito rural. Apesar do processo de renegociação, a Raízen assegurou que suas operações comerciais com empregados, fornecedores, clientes e parceiros de negócio seguirão normalmente, sem alterações.
O movimento da Moody's lança luz sobre os desafios enfrentados por grandes companhias brasileiras diante de cenários macroeconômicos adversos e pressões de liquidez. Investidores e analistas devem acompanhar de perto os desdobramentos do processo de reestruturação, avaliando os impactos potenciais sobre o setor e sobre o mercado de crédito corporativo nacional.
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