Empresa visa enxugar R$ 160 milhões do capital sem devolução, focando em flexibilidade financeira
O Méliuz (CASH3) movimenta novamente o cenário financeiro ao propor uma nova redução de capital social, desta vez sem devolução de recursos aos acionistas.
A decisão, anunciada nesta sexta-feira (4), visa enxugar o capital em R$ 160 milhões, direcionando esse montante para a constituição de uma reserva de capital. O objetivo é fortalecer a flexibilidade financeira da companhia, permitindo absorver eventuais prejuízos, realizar resgates ou recomprar ações, conforme as necessidades estratégicas.
Contexto e justificativa da redução
A empresa, que já realizou dois cortes de capital nos últimos anos, ainda considera o valor atual de R$ 519,7 milhões excessivo para suas operações. Segundo o Méliuz (CASH3), manter esse patamar onera a estrutura de capital sem gerar retorno proporcional, especialmente diante de um modelo de negócios asset light, sem endividamento relevante e com baixo capex. A avaliação interna é de que o capital excede as demandas operacionais e estratégicas de curto e médio prazo, mesmo considerando os prejuízos recentes.
Impacto dos resultados e estratégia com Bitcoin
No segundo trimestre de 2026, o Méliuz registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 22,4 milhões, reflexo de uma perda contábil na carteira de Bitcoins. A companhia, porém, ressalta que esse resultado pode ser revertido caso a criptomoeda volte a se valorizar. Excluindo esse efeito, o lucro líquido ajustado foi de R$ 9,7 milhões, sinalizando resiliência operacional mesmo em um ambiente volátil.
Processo de aprovação e próximos passos
A proposta de redução de capital será submetida à assembleia geral de acionistas, marcada para 25 de setembro. Caso aprovada, credores terão 60 dias para eventuais contestações. Se não houver impedimentos, o capital social cairá para R$ 359,7 milhões, mantendo-se dividido em 104,1 milhões de ações ordinárias.
Histórico de reduções e mudança de estratégia
As últimas reduções de capital do Méliuz foram acompanhadas de devolução de recursos aos acionistas, com restituições significativas em 2024. Em janeiro, foram R$ 210 milhões (R$ 2,41 por ação) e, sete meses depois, mais R$ 220 milhões (R$ 2,52 por ação). Após essas operações, a empresa inovou ao se tornar a primeira Bitcoin Treasury Company do Brasil, alocando parte relevante de seus recursos em criptomoedas.
Para investidores atentos à dinâmica de capital e estratégias diferenciadas de tesouraria, acompanhar o desempenho do Méliuz e de outras empresas inovadoras é fundamental. A ferramenta de Ações da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada dos indicadores financeiros, históricos de capital e estratégias de recompra, auxiliando na tomada de decisão embasada.