Investidor destaca desafios do setor e prefere ações pagadoras de dividendos como BMG e Braskem
Luiz Barsi, reconhecido como o maior investidor pessoa física do Brasil, surpreendeu o mercado ao anunciar que, por ora, não pretende ampliar sua posição no Banco do Brasil (BBAS3), mesmo após a recente queda das ações. Com mais de cinco décadas de investimentos na instituição, Barsi justificou sua decisão em entrevista ao canal Primo Rico, afirmando que não comprará mais ações do banco enquanto o atual governo de esquerda estiver no poder — uma posição que ele ressalta ser estritamente pessoal.
Contexto e fundamentos
Apesar de sua longa trajetória como acionista do Banco do Brasil, Barsi observa que o papel está sendo negociado abaixo do valor patrimonial, estimado por ele em R$ 32, enquanto o preço de mercado gira em torno de R$ 20. O megainvestidor atribui esse deságio aos desafios enfrentados pelo setor do agronegócio, que impactaram negativamente o lucro e o payout do banco nos últimos trimestres. O aumento da inadimplência e das provisões para perdas reforça o cenário de cautela, e o consenso do mercado é de que o momento desafiador ainda não foi superado.
Desempenho sob diferentes governos
Curiosamente, mesmo diante das críticas, as ações do Banco do Brasil acumularam valorização superior a 30% durante o atual governo Lula (PT), enquanto no governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), houve uma leve queda de 1,3%. Além disso, levantamento da Elos Ayta Consultoria aponta que o banco distribuiu R$ 42,8 bilhões em dividendos entre 2023 e o primeiro trimestre de 2026, superando em 27,9% o volume pago durante o mandato de Bolsonaro.
Oportunidades em meio à volatilidade
Barsi reconhece que o Banco do Brasil não é o único ativo negociado abaixo do valor patrimonial na B3. Ele destaca que períodos de baixa podem criar oportunidades para investidores atentos. Exemplo disso foi sua entrada recente em Banrisul (BRSR5), após a forte desvalorização provocada pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Estratégia focada em dividendos
Fiel à sua filosofia de buscar renda passiva, Barsi explica que prefere investir em ações de empresas que pagam dividendos consistentes e têm preços acessíveis. Ele cita como exemplo o BMG (BMGB4), cujas ações custam pouco mais de R$ 5 e oferecem pagamentos trimestrais de proventos, em contraste com papéis mais caros como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4). Para Barsi, o segredo está na quantidade de ações adquiridas, maximizando o recebimento de dividendos.
Além do BMG, sua carteira inclui Caixa Seguridade (CXSE3), BB Seguridade (BBSE3), Cemig (CMIG4) e Taurus (TASA4), empresas que, segundo ele, garantem uma fonte estável de renda e apresentam potencial de valorização.
Aposta na recuperação da Braskem
O investidor também demonstrou otimismo em relação à Braskem (BRKM5), cujas ações atingiram mínimas recentes devido a preocupações financeiras e questões judiciais. Apesar dos riscos, Barsi acredita que a entrada de um novo controlador e o interesse da Petrobras podem impulsionar a recuperação dos papéis. Contudo, ele alerta que uma eventual OPA pode retirar a empresa da bolsa, o que exige atenção redobrada dos investidores.
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