Mercado reage a declarações do ministro Haddad e volatilidade internacional; Hapvida e Natura se destacam
O início da semana no mercado financeiro brasileiro foi marcado por cautela e baixo volume de negócios, reflexo direto do feriado em Wall Street e do aumento das tensões geopolíticas internacionais.
O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa de valores, avançou discretos 0,03%, encerrando o pregão aos 164.849 pontos. Já o dólar à vista apresentou leve desvalorização, fechando cotado a R$ 5,36, uma queda de 0,16%, em meio a um cenário global de menor apetite por risco.
Cenário Político e Expectativas para 2026
No ambiente doméstico, as atenções dos investidores se voltaram para as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em entrevista recente, Haddad revelou que já iniciou conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre seu papel nas eleições de 2026, embora tenha enfatizado que ainda não há definições concretas. O ministro reiterou que não pretende disputar cargos eletivos neste ano e sinalizou que deve deixar o comando da pasta econômica até fevereiro. Outro ponto relevante foi a discussão sobre a ampliação do poder de fiscalização do Banco Central, incluindo a possibilidade de transferir para a autarquia a supervisão dos fundos de investimento, atualmente sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Desempenho das Ações: Destaques e Pressões
Entre os destaques do Ibovespa, Hapvida (HAPV3) figurou na liderança das altas, com valorização superior a 4%, impulsionada por fatores técnicos, embora ainda acumule queda de quase 8% no mês. Na outra ponta, Natura (NTCO3) liderou as perdas, pressionada pela expectativa em torno dos resultados do quarto trimestre de 2025, que serão divulgados em março. Os grandes bancos conseguiram recuperar parte das perdas recentes e fecharam próximos da estabilidade, em um dia marcado pelo início dos pagamentos aos credores do Banco Master pelo Fundo Garantidor de Crédito. As ações da Petrobras (PETR4) encerraram em leve alta, mesmo diante da queda do petróleo no mercado internacional, enquanto Vale (VALE3) registrou desempenho negativo, acompanhando a desvalorização do minério de ferro após novos dados da economia chinesa. Vale ressaltar que Petrobras, Vale e os grandes bancos representam cerca de metade da carteira teórica do Ibovespa, fator que contribui para a estabilidade do índice em dias de baixa liquidez.
Cenário Internacional: Riscos e Volatilidade
No exterior, o fechamento dos mercados norte-americanos devido ao feriado de Martin Luther King Jr. reduziu o volume global de negociações e reforçou o clima de cautela. Na Europa, os principais índices recuaram diante da escalada das tensões geopolíticas, especialmente após ameaças do ex-presidente Donald Trump de impor tarifas de até 25% sobre produtos de oito países europeus. O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 1,19%, registrando sua maior queda diária em dois meses. Na Ásia, o sentimento também foi negativo, com o Nikkei do Japão recuando 0,65% e o Hang Seng de Hong Kong caindo 1,05%, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados globais.
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