Dólar cai 11%, Raízen sofre queda e investidores buscam seletividade para 2026
O ano de 2025 marcou uma virada histórica para o mercado de ações brasileiro, com o Ibovespa registrando uma valorização de 34% – o melhor desempenho anual em quase uma década.
Esse avanço não foi apenas estatístico: refletiu uma transformação estrutural no perfil dos ativos preferidos pelos investidores, impulsionada pela queda da inflação e pelo fechamento da curva de juros futuros. O dólar, por sua vez, recuou 11,18%, encerrando o ano em R$ 5,48, sua maior desvalorização frente ao real desde 2016.
A ascensão das ações cíclicas
O grande destaque do período foi a chamada "virada de chave" das ações cíclicas. Empresas ligadas ao consumo interno e ao crédito, tradicionalmente sensíveis ao ambiente macroeconômico, ganharam protagonismo mesmo com a taxa Selic (SELIC) ainda elevada, em 15% ao ano. Esse movimento foi favorecido pela desaceleração da inflação, que abriu espaço para uma reprecificação dos ativos e renovou o apetite por risco no mercado doméstico.
Em contrapartida, as exportadoras de commodities, que haviam liderado ciclos anteriores, perderam força. A forte desvalorização do dólar reduziu as margens dessas companhias em moeda local, tornando-as menos atrativas em um cenário de real fortalecido.
O fenômeno Cogna: da crise à liderança
Entre as estrelas do Ibovespa, a Cogna (COGN3) brilhou intensamente, acumulando uma impressionante alta de 239,78% no ano. Após anos de resultados negativos, a gigante do setor educacional surpreendeu o mercado com uma recuperação operacional robusta, especialmente no segmento Kroton. A geração de caixa consistente e o avanço no processo de desalavancagem foram reconhecidos por analistas, que destacaram a solidez dos resultados e a transparência na gestão.
Além disso, decisões estratégicas como o fechamento de capital da Vasta e o anúncio de dividendos após o retorno à lucratividade em 2024 ajudaram a resgatar a confiança dos investidores. O desempenho da Cogna ilustra como a execução eficiente pode transformar ativos desacreditados em protagonistas do mercado.
Outros destaques positivos incluíram Axia Energia, Cyrela, BTG Pactual, Direcional, Eneva, CPFL Energia, Vivara e Rede D’Or, todos com valorizações expressivas, refletindo o bom momento de setores como construção civil, energia e financeiro.
O calvário da Raízen e as lições das quedas
Na outra ponta, a Raízen (RAIZ4) enfrentou um dos piores anos de sua história, com queda de 62,5%. A joint venture entre Cosan e Shell foi impactada por endividamento elevado, condições climáticas adversas e desafios operacionais, chegando a ser negociada como penny stock por quase 60 sessões consecutivas. Para conter a crise, a empresa acelerou desinvestimentos, incluindo a venda de usinas e o fim de parcerias estratégicas.
Outras empresas que figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa foram Hapvida, Natura, Cosan, São Martinho, Braskem, Vamos, Brava Energia, PetroReconcavo e Suzano, evidenciando que teses baseadas em crescimento alavancado ou dependência de commodities foram severamente penalizadas.
Perspectivas e aprendizados para 2026
O ranking de 2025 reforça a importância da seletividade e da análise fundamentalista. Setores como construção civil e financeiro quase dobraram de valor, enquanto empresas com fundamentos frágeis ou expostas a riscos específicos sofreram perdas expressivas. Para o investidor, o desafio em 2026 será identificar se as campeãs do último ciclo ainda têm potencial de valorização e se as empresas em crise conseguirão se reestruturar.
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