Desempenho atípico do fundo levanta suspeitas e pode mudar regulação para fiscalização pelo Banco Central
O mercado financeiro brasileiro foi surpreendido recentemente por um caso que desafia até mesmo a ficção: o fundo de investimentos Hans 95 registrou uma valorização de mais de 140.000% em apenas seis anos.
Para se ter uma ideia do salto, uma cota que valia R$ 1 mil em janeiro de 2019 passou a ser negociada por impressionantes R$ 1,4 bilhão no início de 2025, segundo dados oficiais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esse desempenho fora da curva acendeu um alerta entre investidores e reguladores, especialmente porque o patrimônio líquido do fundo, atualmente em torno de R$ 3 bilhões, está majoritariamente alocado em fundos multimercados – um segmento que, historicamente, apresenta retornos muito mais modestos.
Contexto e comparação com o mercado
Para dimensionar o quão atípico é esse resultado, basta observar o Índice Hedge Funds (IAFD), referência para o setor, que acumulou valorização de 495% entre 2009 e 2026 – uma média anual de 29%. Ou seja, o desempenho do Hans 95 está muito acima do que se observa normalmente no mercado, levantando questionamentos sobre a sustentabilidade e a transparência desses ganhos.
Investigação e riscos para o investidor
O fundo Hans 95 está atualmente sob investigação da Operação Carbono Neutro, que apura suspeitas de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. O caso ganhou ainda mais relevância após a liquidação da gestora Reag Investimentos pelo Banco Central, na semana passada. Vale lembrar que, em 2021, auditores independentes já haviam sinalizado preocupações ao afirmar que não conseguiam emitir opinião sobre os relatórios do fundo, devido à falta de comprovação das informações apresentadas pela gestão.
Esse cenário evidencia a importância da fiscalização rigorosa e da transparência na gestão de fundos de investimentos, fatores essenciais para proteger o patrimônio dos investidores e garantir a integridade do mercado.
Mudanças na regulação: fiscalização pode migrar para o Banco Central
Diante de episódios como esse, o governo federal discute uma possível mudança no órgão responsável pela supervisão dos fundos de investimentos. Atualmente, essa atribuição é da CVM, mas há uma proposta em análise para transferir a fiscalização ao Banco Central. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende a medida, argumentando que a crescente interseção entre fundos e o sistema financeiro exige uma regulação mais integrada, capaz de fortalecer a contabilidade pública e ampliar o perímetro regulatório do BC.
Projeções e impacto para o mercado
Se aprovada, a mudança pode trazer maior robustez à supervisão dos fundos, alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais e reduzindo riscos sistêmicos. Para investidores, a expectativa é de um ambiente mais seguro e transparente, com regras claras e fiscalização eficiente.
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