Venda da CSN Cimentos pode gerar até R$ 15 bi e acelerar foco em mineração e desalavancagem
A CSN (CSNA3) está avançando em uma das mais relevantes operações do setor industrial brasileiro: a venda integral da CSN Cimentos, avaliada em até R$ 15 bilhões. O movimento, anunciado oficialmente em janeiro, reflete uma estratégia clara de desalavancagem financeira, com o objetivo de reduzir o endividamento que já ultrapassa os R$ 50 bilhões.
Contexto e Estratégia de Desalavancagem
A decisão de colocar a divisão de cimentos à venda surge em um momento em que a CSN (CSNA3) busca fortalecer sua estrutura de capital. Nesta segunda-feira (10), a companhia confirmou o recebimento de propostas vinculantes para a subsidiária, sinalizando o interesse de grandes players nacionais e internacionais. Entre os potenciais compradores, destacam-se nomes como Votorantim, Polimix, Cementir (Itália) e Huaxin (China), evidenciando o apetite global pelo ativo.
O processo segue conforme o cronograma, com previsão de assinatura do contrato em 2026. No entanto, a conclusão da transação dependerá da aprovação dos órgãos reguladores, especialmente do Cade, que pode impor restrições devido à posição dominante da CSN Cimentos em regiões como o Nordeste. Analistas do mercado já projetam que, caso haja exigências regulatórias, o fechamento do negócio pode se estender até 2027. Paralelamente, a CSN também busca renegociar prazos de dívidas internacionais, em resposta ao cenário de resultados pressionados.
Impacto Financeiro e Perspectivas
A CSN Cimentos, principal ativo não-core do grupo, registrou receita líquida de R$ 4,9 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 1,3 bilhão em 2025, além de contar com projetos de expansão avançados. A expectativa é que a venda gere recursos suficientes para abater parte significativa da dívida, aliviando despesas financeiras que hoje consomem cerca de 45% do Ebitda consolidado e mantêm o fluxo de caixa livre negativo.
Segundo análise da Genial Investimentos, a operação pode reduzir a alavancagem da CSN para o patamar de 2,8 a 3,2 vezes o Ebitda, ante os atuais 3,4x. Isso abriria espaço para acelerar investimentos no segmento de mineração, considerado o principal motor de crescimento e rentabilidade do grupo.
Desinvestimentos Adicionais e Foco em Mineração
A estratégia de desalavancagem da CSN não se limita à venda da divisão de cimentos. A companhia também planeja negociar uma fatia relevante da CSN Infraestrutura em 2026 e avalia parcerias para a CSN Siderurgia. O objetivo é levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em desinvestimentos, reduzindo a alavancagem para menos de 2x e reposicionando o grupo para um novo ciclo de expansão.
Já a CSN Mineração (CMIN3) permanece como o principal ativo estratégico, sendo vista como a principal avenida de crescimento e performance do conglomerado.
Para investidores atentos à reestruturação de grandes grupos industriais, acompanhar o desempenho das ações da CSN e de suas subsidiárias é fundamental. A ferramenta de Comparador de Ações da AUVP Analítica oferece uma análise detalhada de múltiplos indicadores fundamentalistas, permitindo avaliar o impacto dessas operações no valor de mercado e nas perspectivas futuras da companhia.