Ebitda cresce 24%, dívida líquida cai 47% e estratégias impulsionam resultados positivos
A Cosan (CSAN3) apresentou no segundo trimestre de 2026 um prejuízo líquido de R$ 320 milhões, uma redução expressiva de 66% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do resultado ainda negativo, o balanço revela sinais claros de recuperação operacional, com destaque para o Ebitda, que atingiu R$ 3,52 bilhões — alta de 24% na comparação anual. A margem Ebitda também avançou, saltando de 27% para 32,7%, enquanto a receita operacional líquida cresceu 3%, totalizando R$ 10,78 bilhões.
O período foi marcado por uma série de movimentos estratégicos, como o IPO da Compass (PASS3), pré-pagamentos de dívidas, desinvestimentos e a homologação do plano de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4). Essas iniciativas reforçaram o processo de simplificação da estrutura de capital da holding, refletindo uma gestão mais eficiente e focada na geração de valor.
Um dos principais motores da melhora foi a reversão da equivalência patrimonial, que saiu de um resultado negativo de R$ 173 milhões no segundo trimestre de 2025 para um positivo de R$ 447 milhões em 2026. Esse avanço foi impulsionado pelo desempenho robusto da Rumo (RAIL3) e da Moove, além da ausência de novos impactos negativos da Raízen, já que o investimento na controlada foi reduzido a zero ao final de 2025, eliminando o reconhecimento de perdas por equivalência patrimonial.
No entanto, o resultado do trimestre foi limitado pelo reconhecimento de um impairment de R$ 233 milhões referente ao TUP Porto São Luís, após a aceitação de proposta vinculante para venda do ativo. Sem esse efeito extraordinário, o prejuízo teria sido ainda menor, de R$ 167 milhões. O resultado financeiro também apresentou melhora, ficando negativo em R$ 552 milhões — R$ 106 milhões a menos que no ano anterior —, reflexo do aumento das receitas financeiras e da gestão ativa do passivo, com pré-pagamentos de R$ 8,8 bilhões em dívidas apenas no primeiro semestre. As despesas gerais e administrativas recuaram significativamente, de R$ 78 milhões para R$ 42 milhões, evidenciando os ganhos da reestruturação organizacional.
Entre as empresas do portfólio, a Rumo manteve o Ebitda ajustado estável em R$ 2,27 bilhões e viu seu lucro líquido crescer 56%, para R$ 520 milhões. A Compass elevou o Ebitda em 5%, mas teve queda de 19% no lucro líquido, enquanto a Moove registrou crescimento de 24% na receita líquida, mas recuo de 6% no Ebitda e de 43% no lucro, diante de uma base de comparação elevada. Já a Radar enfrentou um trimestre mais desafiador, encerrando com prejuízo de R$ 30 milhões devido à reavaliação de terras e menores receitas de arrendamento.
O grande destaque do balanço, porém, foi a expressiva redução do endividamento. A dívida líquida expandida caiu 47% em um ano, atingindo R$ 9,2 bilhões ao final de junho, impulsionada pelos recursos do IPO da Compass e pelos desinvestimentos realizados. O caixa da holding fechou em R$ 7,3 bilhões, enquanto o consolidado alcançou R$ 13,4 bilhões e o patrimônio líquido somou R$ 31,9 bilhões.
A administração da Cosan (CSAN3) projeta que o Índice de Cobertura do Serviço da Dívida (ICSD) avance dos atuais 0,2 vez para uma faixa entre 0,8 e 1,2 vez até o fim de 2026, sustentado pela redução das despesas financeiras e pelo recebimento esperado de dividendos das investidas.
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