Fitch rebaixa rating da Compass por influência da Cosan; Moody's mantém nota máxima e perspectiva estável
A Compass Gás e Energia, uma das principais empresas do setor de gás natural no Brasil, avança com seu aguardado plano de abertura de capital na B3.
No entanto, o cenário para o IPO ganhou novos contornos após a Fitch rebaixar a nota de crédito da companhia de AAA(bra) para AA(bra), com perspectiva negativa. O motivo central do rebaixamento está ligado à delicada situação financeira da controladora Cosan (CSAN3), que enfrenta pressão para vender ativos e reduzir dívidas de longo prazo. A Fitch já havia cortado o rating da Cosan em fevereiro, destacando a influência direta da holding sobre as decisões financeiras da Compass, especialmente na priorização de dividendos.
Contexto e Impacto do Rebaixamento
Apesar de a Compass apresentar um perfil de crédito individual mais robusto que o da Cosan, seu rating permanece limitado pela forte influência da controladora. A agência ressalta que, como acionista majoritária, a Cosan pode direcionar políticas financeiras da subsidiária, o que inclui a distribuição de dividendos. Esse fator pode afetar a confiança dos investidores no IPO, já que a pressão por repasses elevados à Cosan pode comprometer o fluxo de caixa da Compass.
Pontos Fortes e Desafios
A Fitch reconhece que a Compass se destaca no setor por controlar a Comgás (CGAS5), maior distribuidora de gás natural encanado do país, além de operar infraestrutura estratégica como o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP). O fluxo de recebimento de dividendos, o cronograma alongado de dívidas e a alavancagem moderada são pontos positivos. Contudo, a agência alerta para a possibilidade de pressão contínua para maximizar dividendos à Cosan, o que pode limitar a flexibilidade financeira da Compass. Ainda assim, o rating AA(bra) indica risco de inadimplência muito baixo, alinhando a empresa a outras candidatas a IPO, como a Aegea.
Visão Alternativa: Moody's Mais Otimista
Em contraste com a Fitch, a Moody's atribuiu à Compass a nota máxima AAA.br, com perspectiva estável. A agência destaca a previsibilidade dos fluxos de caixa provenientes de ativos regulados e a extensão das concessões da empresa. Para a Moody's, a Compass deve manter uma política prudente de distribuição de recursos, mesmo com o estatuto prevendo pagamentos mínimos de 50% do resultado. A expectativa é de que a empresa reduza os dividendos para preservar sua qualidade de crédito e liquidez, apoiada por uma operação diversificada e crescimento do Ebitda.
O Caminho para o IPO
A Compass protocolou o pedido de IPO no início de março e busca precificar sua oferta ainda nesta semana. Um dos principais obstáculos é a negociação com o Bradesco (BBDC4), que detém participação na Compass e é credor da Raízen (RAIZ4), subsidiária da Cosan que recentemente entrou em recuperação extrajudicial. O banco estaria condicionando o avanço do IPO a melhores condições para a reestruturação das dívidas da Raízen. Se superar esse impasse, a Compass pode inaugurar uma nova fase de ofertas públicas na B3, que não vê um IPO desde 2021. Outras empresas, como BRK Ambiental e Aegea, também estão na fila para estrear na Bolsa.
Para investidores atentos ao setor de energia e infraestrutura, acompanhar o desempenho das ações da Cosan, Compass, Comgás e demais players é fundamental. A ferramenta de Busca Avançada da AUVP Analítica permite filtrar empresas por setor, rating de crédito e indicadores financeiros, facilitando a análise comparativa e a identificação de oportunidades em momentos decisivos do mercado.