BBAS3 enfrenta desafios com inadimplência, mas espera crescimento de até 26% no lucro em 2026
O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um cenário desafiador em 2025, marcado por uma queda expressiva de 45,4% no lucro líquido em relação ao ano anterior, reflexo direto do aumento da inadimplência e das provisões, especialmente no segmento rural. Apesar desse revés, a instituição projeta uma retomada significativa para 2026, com expectativa de crescimento do lucro entre 15% e 26%, o que pode elevar o resultado anual ajustado para a faixa de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.
Contexto e desafios do Banco do Brasil O ano de 2025 consolidou-se como um período de ajustes para o Banco do Brasil (BBAS3) , que precisou reforçar mecanismos de análise de risco, recuperação de crédito e renegociação de dívidas rurais, totalizando mais de R$ 35,5 bilhões em operações reestruturadas. A CEO Tarciana Medeiros reconhece que o ambiente segue desafiador, mas destaca o aprendizado institucional e a disciplina na gestão estratégica de crédito como pilares para a recuperação. O banco não pretende abandonar o agronegócio, mas busca rebalancear sua carteira, ampliando a participação em linhas mais rentáveis e seguras, como o crédito consignado.
Perspectivas e oportunidades para 2026 Apesar das adversidades, o Banco do Brasil enxerga oportunidades no horizonte. A expectativa de queda da taxa Selic (SELIC) , o desemprego em patamares historicamente baixos e uma safra agrícola recorde criam um ambiente propício para a expansão do crédito, especialmente para pessoas físicas. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil deve liberar um potencial de R$ 28 bilhões em crédito consignado, segundo a própria instituição. Com isso, o BB projeta um crescimento de até 10% na carteira de crédito para pessoas físicas em 2026, ritmo superior ao previsto para empresas e agronegócio.
Guidance e projeções para o próximo ano O guidance divulgado pelo Banco do Brasil para 2026 reflete cautela, mas também otimismo moderado. A carteira total de crédito deve crescer entre 0,5% e 4,5%, com destaque para pessoas físicas (6% a 10%). Empresas e agronegócio devem apresentar crescimento mais tímido ou até retração. A margem financeira bruta pode avançar de 4% a 8%, enquanto o custo do crédito deve oscilar entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. O lucro líquido ajustado, principal indicador de rentabilidade, está projetado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
Reação do mercado e análise de especialistas O mercado financeiro recebeu o guidance do Banco do Brasil com cautela. Para analistas, como os da XP, a recuperação será gradual, sustentada por spreads melhores e provisões um pouco menores, mas a qualidade do crédito permanece como ponto de atenção. Já a Genial Investimentos e o BTG Pactual consideraram as projeções menos ambiciosas do que o esperado, sinalizando que a normalização da exposição ao agronegócio deve ser lenta. O consenso é de que, apesar dos sinais de estabilização, o cenário ainda exige prudência, refletindo-se em recomendações neutras para as ações do BB.
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