Itaú BBA e BTG Pactual apontam desafios no crédito e agronegócio para o 1T26 e todo o ano
O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um cenário desafiador no início de 2026, com projeções de lucro e rentabilidade pressionadas por fatores macroeconômicos e setoriais.
Segundo relatórios recentes de grandes instituições financeiras, como Itaú BBA e BTG Pactual, o primeiro trimestre do ano deve marcar uma desaceleração significativa nos resultados do banco, refletindo tanto o ambiente de crédito quanto as condições do agronegócio.
Contexto e projeções para o 1T26
Após um quarto trimestre considerado positivo, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram fortemente, refletindo a cautela dos investidores diante das novas estimativas. O Itaú BBA projeta um lucro de R$ 3,6 bilhões para o banco no primeiro trimestre de 2026, representando uma queda de 36% em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também deve cair para 7,5%, bem abaixo dos 12,1% registrados anteriormente. O principal fator para esse desempenho mais fraco é a desaceleração da carteira de crédito, combinada com despesas de provisão ainda elevadas, estimadas em R$ 17,4 bilhões, devido à deterioração dos diferentes segmentos de crédito.
Além disso, a projeção anual do Itaú BBA para o lucro do Banco do Brasil em 2026 é de R$ 21 bilhões, abaixo do guidance oficial do banco, que varia entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Esse cenário reforça a percepção de que o banco pode enfrentar desafios adicionais ao longo do ano.
Análise do BTG Pactual e riscos setoriais
O BTG Pactual também adota uma postura cautelosa, estimando um lucro líquido entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões para o trimestre, de 15% a 30% abaixo do consenso de mercado. O banco destaca que o resultado do quarto trimestre foi impulsionado por efeitos tributários extraordinários, o que torna a comparação ainda mais desafiadora. Segundo os analistas, a magnitude da queda nos lucros e no ROE pode surpreender negativamente o mercado, especialmente após a valorização recente das ações, que superaram concorrentes do setor.
O agronegócio, tradicionalmente um dos pilares do Banco do Brasil, surge como o principal vetor de risco. O aumento dos custos de diesel e fertilizantes, agravado por tensões geopolíticas, e um câmbio desfavorável pressionam a rentabilidade do setor. O BTG alerta para a possibilidade de que o segundo trimestre também decepcione, caso não haja recuperação significativa nos reembolsos da última safra.
Perspectivas e avaliação de mercado
O Dia do Investidor, programado para a próxima semana, será um momento-chave para avaliar a estratégia do banco diante desses desafios. O evento deve trazer mais clareza sobre o portfólio do agronegócio, as tendências de provisionamento e as perspectivas de recuperação. Atualmente, as ações do Banco do Brasil são negociadas a cerca de 0,8 vez o valor patrimonial, com um ROE projetado abaixo de 10% para 2026 e um dividend yield considerado pouco atrativo em relação aos padrões históricos.
Se as estimativas de lucro anual forem revisadas para baixo, para cerca de R$ 20 bilhões, os múltiplos de preço sobre lucro e dividend yield podem se tornar ainda menos competitivos, reforçando a necessidade de cautela por parte dos investidores.
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