Desembolso é 19% menor que safra anterior, mas banco mantém meta otimista para 2026
O Banco do Brasil (BBAS3), reconhecido como o principal financiador do agronegócio brasileiro, divulgou que já liberou R$ 85 bilhões em crédito ao setor desde o início da safra 2025/26, que começou em 1º de julho deste ano.
O levantamento, que considera dados até o final de novembro, engloba operações de crédito rural, Cédulas de Produto Rural (CPRs), crédito agroindustrial e capital de giro para empresas da cadeia do agronegócio.
Apesar do volume robusto, o montante representa uma retração de cerca de 19% em relação aos R$ 105 bilhões desembolsados no mesmo período da safra anterior (2024/25). Os números foram apresentados por Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil (BBAS3), durante coletiva à imprensa.
Cenário macroeconômico pressiona o crédito rural
Dentro do total liberado, o crédito rural tradicional somou R$ 78,3 bilhões, também abaixo dos R$ 96 bilhões registrados até novembro do ciclo anterior. Segundo Bittencourt, a redução já era esperada diante do atual cenário macroeconômico, marcado por juros elevados, compressão das margens no campo e menor rentabilidade dos principais produtos agrícolas. O executivo destacou que apenas produtores com situação financeira sólida e baixa alavancagem estão investindo, enquanto a maioria posterga decisões aguardando uma possível queda na taxa Selic (SELIC).
O banco estima que os investimentos agrícolas recuaram entre 35% e 40% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, refletindo o menor apetite por risco e a cautela dos produtores diante das incertezas econômicas.
Perspectivas para o restante da safra
Apesar do início mais lento, o Banco do Brasil mantém uma visão otimista para o restante do ciclo. A expectativa é de aceleração na contratação de crédito nos próximos meses, com meta de alcançar R$ 230 bilhões em financiamentos ao agronegócio até junho de 2026 — um volume 2% superior ao desembolsado na safra 2024/25. Desse total, R$ 106 bilhões devem ser destinados à agricultura empresarial, R$ 54 bilhões à agricultura familiar e médios produtores, e R$ 70 bilhões a operações na cadeia de valor do agro, como logística, insumos e armazenagem.
Bittencourt ressaltou que diversas linhas de crédito rural já se aproximam do limite operacional, e o banco deve solicitar remanejamentos internos ainda em dezembro para garantir o atendimento à demanda.
Agricultura familiar mantém estabilidade
Enquanto o crédito rural para a agricultura familiar avança conforme o esperado, as linhas voltadas a grandes produtores seguem abaixo do ritmo histórico, tanto em investimentos quanto em custeio. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) apresenta desempenho semelhante ao da safra anterior, indicando um cenário mais equilibrado para os médios produtores. O executivo reforçou que o produtor está mais cauteloso, atento ao cenário de preços e custos, e há menor procura por crédito a taxas livres.
Safra avança sob monitoramento do clima
No campo operacional, a safra 2025/26 segue dentro da normalidade, com grande parte das áreas já plantadas e sem sinais de recuo expressivo na área cultivada. O Banco do Brasil monitora de perto os possíveis impactos do fenômeno climático La Niña, mas, até o momento, as projeções da Conab e do IBGE apontam para estabilidade na produção. No entanto, os custos elevados de produção, especialmente em regiões menos produtivas, tendem a pressionar as margens dos produtores. Áreas com custos mais altos já começam a se tornar menos viáveis, e eventuais reduções no pacote tecnológico podem afetar a produtividade, embora ainda seja cedo para conclusões definitivas.
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