Lucro projetado em queda, inadimplência rural alta e provisões elevadas impactam desempenho
O Banco do Brasil (BBAS3) se prepara para divulgar seus resultados do segundo trimestre de 2026 nesta quarta-feira (12), após o fechamento do mercado, em um ambiente de crescente cautela entre analistas e investidores.
O desempenho recente das ações, que recuaram 3,74% nesta terça-feira (11) e atingiram a mínima do ano, reflete o pessimismo do mercado, que já precifica um resultado mais fraco para o período. Em agosto, os papéis acumulam queda de 8%, sinalizando que as expectativas estão longe de otimistas.
Expectativas Modestas e Projeções de Lucro
As principais casas de análise convergem para um cenário de resultados modestos. O Bank of America projeta um lucro líquido de aproximadamente R$ 3,6 bilhões, representando uma queda de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior e retração de 7% frente ao primeiro trimestre. Já Goldman Sachs e JPMorgan estimam um lucro de R$ 3,5 bilhões, o que implica uma redução de 6% na comparação anual. O consenso de mercado, compilado por portais especializados, aponta para um resultado ainda mais conservador, de R$ 3,1 bilhões.
O Bank of America destaca que o resultado antes de impostos deve ficar aquém das expectativas, pressionado por despesas com provisões acima do previsto. O crescimento da carteira de crédito deve permanecer em ritmo lento, com destaque para a fraca concessão no segmento rural e a desaceleração do consumo. O Goldman Sachs ressalta ainda que contingências legais tendem a elevar as despesas operacionais, dificultando a recuperação dos lucros. O retorno sobre o patrimônio (ROE) projetado pelo banco é de 8,4%, uma queda de 1,06 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Inadimplência Rural: O Desafio Persistente
O agronegócio segue como o principal desafio para o Banco do Brasil (BBAS3). Desde 2024, a inadimplência no setor rural tem pressionado os indicadores de qualidade da carteira de crédito. Dados recentes da Serasa apontam que a inadimplência rural atingiu 8,8% no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. As provisões para perdas devem continuar elevadas, já que muitos produtores aguardam a regulamentação das medidas de renegociação de dívidas.
A Medida Provisória 1.376/2026, que prevê a renegociação de dívidas rurais, surge como uma possível solução, mas seus efeitos práticos ainda devem demorar a aparecer nos resultados do banco. O BTG Pactual avalia que a medida pode servir como uma ponte para uma recuperação gradual, com impacto relevante no balanço apenas a partir do quarto trimestre de 2026.
O Banco do Brasil já iniciou os procedimentos para operacionalizar as linhas de renegociação, voltadas a produtores afetados por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços agrícolas. No entanto, a implementação depende de regulamentação adicional do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Ministério da Fazenda. Para o BTG, a iniciativa reduz a incerteza no setor e melhora o fluxo de caixa dos produtores elegíveis, mas o volume de operações efetivamente renegociadas ainda é incerto.
Perspectivas para o Segundo Trimestre
No segundo trimestre, as despesas com provisões devem permanecer em patamares semelhantes aos do trimestre anterior, com as perdas de crédito se aproximando do teto do guidance do banco. O BTG mantém recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil, com preço-alvo de R$ 25, refletindo o cenário de desafios persistentes e recuperação gradual.
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