Distribuição de proventos gera cautela no mercado diante de desafios e expectativas não atendidas
Nas últimas semanas, a Ambev (ABEV3) tem sido destaque nas discussões sobre potenciais pagadoras de dividendos para 2025.
Agora, a gigante do setor de bebidas confirmou as expectativas do mercado ao anunciar a distribuição de R$ 1,8 bilhão em dividendos extraordinários, além de um pagamento adicional de R$ 4,2 bilhões em juros sobre capital próprio previsto para 2026. Com isso, a companhia soma cerca de R$ 6 bilhões em proventos declarados apenas neste ano.
Contexto e reação do mercado
O anúncio, feito por meio de fato relevante, foi recebido com entusiasmo inicial pelos investidores, mas rapidamente analisado com cautela por grandes bancos e casas de análise. O Citi, por exemplo, avaliou que, apesar de atrativa, a remuneração ficou aquém das expectativas do mercado. Segundo a analista Renata Cabral, havia espaço para uma estratégia mais agressiva de distribuição, especialmente diante da iminente tributação de dividendos prevista para o próximo ano.
Distribuição e impacto para o acionista
No total, a Ambev (ABEV3) deve repassar cerca de R$ 0,73 por ação ordinária aos seus acionistas em 2025, valor que representa apenas 8% do retorno de caixa estimado para o ano. Esse percentual foi considerado modesto por analistas do Bradesco BBI, que mantiveram recomendação neutra para os papéis da companhia. O múltiplo P/L projetado para 2026, de 14,3 vezes, coloca a Ambev com um prêmio de 19% em relação a concorrentes globais, reforçando a postura cautelosa do mercado.
Desafios e perspectivas para 2026
O Goldman Sachs destacou que a distribuição abaixo do esperado reforça um cenário desafiador para a Ambev no próximo ano. Entre os fatores de preocupação estão a alta penetração de mercado, mudanças nos padrões de consumo, aumento da concorrência, e a pressão inflacionária sobre custos, que deve superar a inflação geral. Além disso, a erosão do valor de marcas tradicionais, como Skol, e a necessidade de equilibrar crescimento e rentabilidade tornam o ambiente ainda mais competitivo.
Desempenho das ações e histórico
A reação imediata do mercado foi negativa: as ações da Ambev abriram o pregão em queda de 2,2%, cotadas a R$ 13,35. Apesar do recuo pontual, o desempenho acumulado em 2024 segue positivo, com valorização de 15% desde janeiro, evidenciando a resiliência da companhia mesmo diante dos desafios estruturais.
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