Alta do petróleo Brent contrasta com perdas de empresas brasileiras após captura de Maduro e incertezas globais
O investidor brasileiro enfrenta um cenário de volatilidade e incerteza nesta segunda-feira, marcado por um descolamento entre o desempenho do petróleo no exterior e as ações do setor na B3. Apesar da alta de 1,87% no barril do petróleo Brent, cotado a US$ 58,39, empresas brasileiras ligadas à commodity registram quedas expressivas, refletindo uma reprecificação de risco diante de eventos geopolíticos recentes.
Contexto internacional e impacto imediato
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos desencadeou uma onda de especulações sobre o futuro da oferta global de petróleo. Embora a Venezuela represente atualmente menos de 1% da produção mundial, o país detém as maiores reservas provadas do planeta, respondendo por 17% do total global. O mercado interpreta que a possível queda de Maduro e o aumento do envolvimento dos EUA podem abrir caminho para a flexibilização das sanções, permitindo uma rápida expansão da produção venezuelana. Analistas projetam que, em até dois anos, a produção local pode saltar para 1,4 milhão de barris por dia, o que pressionaria os preços internacionais da commodity no médio prazo.
Reação do mercado brasileiro
Por volta das 13h, o cenário era de perdas generalizadas entre as principais empresas do setor na B3. Brava Energia liderava as quedas, com recuo de 6,48%, seguida por Petrobras (PETR4), Prio (-2,06%) e Petrorecôncavo (-1,45%). O movimento reflete o temor de que uma oferta global mais robusta, impulsionada pela Venezuela, possa derrubar os preços do petróleo e afetar a rentabilidade das companhias brasileiras.
Análise de risco e perspectivas
A XP Investimentos reforçou sua postura cautelosa, especialmente para 2026, quando a Agência Internacional de Energia prevê um excesso de oferta de 3,8 milhões de barris diários. Nesse contexto, a Brava Energia é vista como a mais vulnerável, devido à sua alta alavancagem operacional e financeira. Cada queda de US$ 5 no preço do Brent pode reduzir em até 6 pontos percentuais o desempenho da empresa. Em contrapartida, a Prio se destaca como a preferida dos analistas, graças à sua margem de segurança ampliada e um ponto de equilíbrio mais baixo, o que lhe confere maior resiliência em cenários adversos.
Projeções e oportunidades para investidores
O cenário atual exige atenção redobrada dos investidores, que devem monitorar de perto os desdobramentos geopolíticos e suas implicações sobre a oferta e os preços do petróleo. Para quem busca avaliar o desempenho e a robustez financeira das empresas do setor, a ferramenta de Comparador de Ações da AUVP Analítica oferece uma análise detalhada de múltiplos indicadores, facilitando decisões mais informadas e estratégicas.