Títulos públicos brasileiros sofrem volatilidade influenciada por dados econômicos dos EUA
Tesouro Renda+ 2065 surpreende com alta de 5% em um dia e menor taxa do ano
O Tesouro Renda+ 2065, um dos títulos de renda fixa mais procurados por investidores que buscam ganhos na marcação a mercado, surpreendeu o mercado nesta quarta-feira (14) ao registrar uma valorização expressiva de 5% em apenas 24 horas. O preço unitário do papel saltou de R$ 175,77 para R$ 184,43, destoando do comportamento dos demais títulos públicos negociados no Tesouro Direto.
Esse movimento, no entanto, veio acompanhado de uma queda relevante na remuneração oferecida pelo título, que recuou de IPCA+ 7,10% ao ano para IPCA + 6,99% ao ano — a menor taxa já registrada em 2026. O Tesouro Renda+ 2065 é especialmente desenhado para quem planeja acumular uma aposentadoria extra, e sua dinâmica recente evidencia como oscilações de mercado podem impactar tanto o preço quanto a rentabilidade dos papéis de longo prazo.
Enquanto isso, outros títulos públicos federais seguiram trajetória oposta: as taxas de remuneração subiram, refletindo maior prêmio ao investidor, mas os preços unitários recuaram. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, viu sua taxa avançar de IPCA + 7,05% para IPCA+ 7,12% ao ano, atingindo o maior patamar desde outubro de 2025, ao passo que seu preço caiu de R$ 868,05 para R$ 854,62, uma desvalorização de 1,5% em apenas um pregão.
Segundo analistas de mercado, a volatilidade atual do Tesouro Direto está fortemente atrelada à divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos, que sofreram atrasos em 2025 devido ao shutdown do governo americano. Esse contexto global tem influenciado diretamente a precificação dos títulos públicos brasileiros, tornando o cenário mais desafiador para quem busca previsibilidade.
Panorama das taxas e preços dos títulos públicos
Na tarde de 14 de janeiro de 2026, o Tesouro Direto apresentava uma ampla variedade de opções para investidores de diferentes perfis. Os títulos prefixados ofereciam rentabilidades entre 12,98% e 13,67% ao ano, enquanto os pós-fixados atrelados à Selic (SELIC) mantinham prêmios modestos acima da taxa básica de juros. Já os papéis indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Renda+, apresentavam taxas que variavam de IPCA + 6,99% a IPCA+ 7,88% ao ano, dependendo do vencimento e da modalidade.
Para quem pensa em aposentadoria ou em custear estudos futuros, os títulos Renda+ e Educa+ continuam sendo alternativas interessantes, com aportes mínimos acessíveis e remunerações que acompanham a inflação, protegendo o poder de compra no longo prazo.
Análise e perspectivas
O comportamento divergente entre o Tesouro Renda+ 2065 e os demais títulos evidencia a importância de acompanhar de perto as oscilações do mercado e entender como fatores externos, como a economia americana, podem afetar diretamente os investimentos em renda fixa no Brasil. Para o investidor, o momento exige cautela e análise criteriosa das oportunidades, especialmente para quem busca ganhos na marcação a mercado ou proteção de longo prazo.
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