Governo planeja diversificar dívida com emissões em yuan e reduzir exposição à Selic para maior previsibilidade
Tesouro Nacional amplia estratégia com títulos prefixados de longo prazo
O Tesouro Nacional está determinado a ampliar a presença dos títulos públicos prefixados de longo prazo no mercado, uma estratégia que promete alterar significativamente o perfil da dívida brasileira. Em um movimento inédito, o governo planeja intensificar as emissões de títulos no exterior em 2026, mirando não apenas os tradicionais mercados em dólar e euro, mas também, pela primeira vez, o mercado chinês, com emissões em yuan.
Contexto e estratégia do Tesouro
Atualmente, o Tesouro Direto não oferece títulos indexados ao dólar para investidores locais, mas parte da dívida pública já é emitida no mercado internacional. O objetivo, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, é elevar a fatia da dívida atrelada a moedas estrangeiras para 7% no longo prazo, quase o dobro dos 3,8% projetados para o fim de 2025. Essa mudança reflete a busca por diversificação e maior presença global, aproveitando a liquidez e a demanda internacional por ativos brasileiros.
Expansão internacional e inovação
A estratégia inclui não só o aumento da frequência das emissões em dólar, mas também a retomada das captações em euro e a estreia no mercado chinês. A expectativa é que, em 2026, o volume captado no exterior supere os US$ 10,8 bilhões registrados no ano anterior, sinalizando uma postura mais agressiva e inovadora do Tesouro Nacional.
Redução da exposição à Selic
Outro ponto central da nova política é a redução da dependência dos títulos atrelados à Selic (SELIC), a taxa básica de juros, substituindo-os por papéis prefixados de longo prazo. Essa mudança busca oferecer maior previsibilidade ao custo da dívida, reduzindo a volatilidade e o risco fiscal. O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, destaca que a estratégia do Tesouro para 2026 prevê um aumento expressivo no estoque de títulos prefixados, mesmo com uma estimativa inicial superando em R$ 400 bilhões o volume da dívida.
Impactos para investidores e mercado
Para o investidor, essas mudanças representam oportunidades e desafios. A diversificação das fontes de financiamento e a maior previsibilidade dos custos da dívida podem fortalecer a confiança no mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que abrem espaço para novas alternativas de investimento em renda fixa. O movimento do Tesouro Nacional também pode influenciar as taxas de juros e a atratividade dos títulos públicos no médio e longo prazo.
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