Títulos públicos ganham força com revisão da Selic e oferecem oportunidades para renda fixa sofisticada
Cenário dos títulos públicos no Tesouro Direto
O cenário dos títulos públicos no Tesouro Direto ganhou destaque nesta última semana de novembro de 2025, impulsionando discussões entre investidores atentos à marcação a mercado. Com a queda das taxas negociadas nesta segunda-feira (24), os papéis apresentaram ganhos expressivos, chegando a quase 2% de valorização em poucos dias – um movimento que reacende o interesse por estratégias de renda fixa mais sofisticadas.
Contexto e dinâmica das taxas
O Tesouro Renda+ 2065, um dos favoritos entre investidores de perfil mais arrojado, ilustra bem esse fenômeno. Sua remuneração, atrelada ao IPCA, recuou de 6,87% para 6,82% ao ano no período pós-feriado. Essa redução nas taxas resultou em uma elevação do preço unitário do título, que saltou de R$ 191,54 para R$ 195,08, representando uma valorização de 1,85%. Desde a mínima registrada em janeiro de 2025, quando o título era negociado a R$ 130,50, o ganho acumulado na marcação a mercado já atinge impressionantes 50%. Para efeito de comparação, o Ibovespa (IBOV) avançou 29% no mesmo intervalo, evidenciando o potencial dos títulos públicos em determinados ciclos de mercado.
Fatores macroeconômicos e expectativas
A principal força por trás da queda nas taxas do Tesouro Direto está diretamente relacionada à revisão das expectativas para a taxa Selic (SELIC) nos próximos anos. Segundo análise de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o Boletim Focus mais recente apontou redução na mediana das projeções para os juros ao final de 2026 e 2028. A expectativa para 2026 caiu de 12,25% para 12,00% ao ano, enquanto para 2028 houve uma queda mais significativa, de 10,00% para 9,75% ao ano, após quase um ano de estabilidade. Esse ajuste nas projeções reforça o apetite por títulos prefixados e indexados à inflação, que tendem a se valorizar em ambientes de queda de juros.
Panorama dos títulos disponíveis
Na tarde de 24 de novembro, o Tesouro Direto oferecia uma ampla gama de alternativas para diferentes perfis e objetivos. Os títulos prefixados, como o Tesouro Prefixado 2028 e 2032, apresentavam rentabilidades de 12,80% e 13,40% ao ano, respectivamente. Já os pós-fixados, como o Tesouro Selic 2028 e 2031, mantinham remuneração atrelada à taxa básica, com pequenos acréscimos anuais.
Entre os papéis indexados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2029 oferecia IPCA + 7,75% ao ano, enquanto opções de longo prazo, como o Tesouro IPCA+ 2050, pagavam IPCA + 6,79% ao ano. Para quem busca aposentadoria complementar, a linha Tesouro Renda+ trazia alternativas com vencimentos até 2065, com rentabilidades próximas a IPCA + 6,83% ao ano. Já o Tesouro Educa+, voltado ao custeio de estudos, oferecia prêmios que variavam de IPCA + 7,95% (2026) a IPCA + 6,92% (2043), com aportes mínimos acessíveis.
Análise e perspectivas para o investidor
A recente valorização dos títulos públicos reforça a importância de acompanhar não apenas o rendimento contratado, mas também a dinâmica da marcação a mercado. Em períodos de queda nas taxas de juros, investidores que já possuem títulos podem realizar lucros expressivos ao vender seus papéis antes do vencimento. Por outro lado, quem pretende investir agora deve avaliar o novo patamar de taxas e ponderar o horizonte de investimento, especialmente diante das expectativas de continuidade do ciclo de cortes na Selic.
Para quem deseja aprofundar a análise e comparar o desempenho de diferentes títulos públicos, a ferramenta de Comparador de Renda Fixa da AUVP Analítica oferece recursos avançados para simular cenários, avaliar rentabilidades e tomar decisões mais embasadas.