Taxas do Tesouro IPCA+ 2050 caem e valorizam títulos em cenário de juros elevados e menor liquidez
O mercado de renda fixa brasileiro iniciou a semana sob o impacto de menor liquidez, reflexo do feriado nos Estados Unidos, e viu as taxas do Tesouro Direto operarem em leve baixa.
Esse movimento, ainda que sutil, trouxe algum alívio para investidores já posicionados em títulos públicos, especialmente aqueles atentos à marcação a mercado.
Contexto e dinâmica das taxas
Desde o início das operações do Tesouro Direto, as taxas oferecidas aos investidores para financiar o governo brasileiro passaram por oscilações relevantes. Nesta segunda-feira (19), porém, o cenário foi de ligeira queda nos juros compostos, favorecendo quem já detinha papéis na carteira. O destaque ficou para o Tesouro IPCA+ 2050, cuja remuneração recuou de IPCA+ 7,12% ao ano em 15 de janeiro para IPCA+ 7,06% ao ano, atingindo o menor patamar da última semana. Consequentemente, o preço unitário desse título subiu de R$ 854,96 para R$ 867,61, resultando em valorização de 1,5% na marcação a mercado.
Fatores que influenciam o cenário
O ambiente de menor volume financeiro circulando no Tesouro Direto foi intensificado pela redução da liquidez global, típica de feriados internacionais. Além disso, o mercado repercutiu o mais recente Boletim Focus, que projeta a taxa Selic (SELIC) acima dos dois dígitos até 2028. Antes, a expectativa predominante era de que a Selic recuasse dos atuais 15% ao ano para 9,75% até o fim de 2028. Agora, a perspectiva é de manutenção em torno de 10% ao ano por mais tempo, o que pode exigir maior paciência dos investidores que apostam em ganhos via marcação a mercado.
Panorama das rentabilidades
Na tarde de 19 de janeiro de 2026, os títulos públicos do Tesouro Direto apresentavam as seguintes rentabilidades: os prefixados variavam de 13,12% a 13,82% ao ano, enquanto os pós-fixados ofereciam Selic (SELIC) acrescida de pequenos percentuais. Já os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+, entregavam retornos entre IPCA (IPCA)+ 7,09% e IPCA+ 7,98% ao ano, dependendo do vencimento e da modalidade (com ou sem juros semestrais). Produtos voltados para aposentadoria e educação, como Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+, também mantinham taxas atrativas, reforçando o apelo da renda fixa para objetivos de longo prazo.
Análise e perspectivas
O atual ambiente de juros elevados e volatilidade moderada reforça a importância de estratégias bem fundamentadas para quem investe em títulos públicos. A leve queda nas taxas pode sinalizar oportunidades pontuais, mas o cenário macroeconômico ainda exige cautela. Investidores devem acompanhar de perto as projeções para a Selic (SELIC) e os desdobramentos do mercado internacional, ajustando suas carteiras conforme o perfil de risco e horizonte de investimento.
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